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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Clássico majestoso, mas não me conquistou

Prepare-se para 233min de muito, mas muito sofrimento. Scarlet é apresentada como a mais bela herdeira sulista, e pouco se importa com o que os outros pensam de si. A única coisa que lhe importa é Ashley (acho terrível essa história de nomes "unissex"), o homem dos sonhos dela. Mas a guerra chega e tudo muda: a vida como ela conhecia desparece. O filme não é sobre a guerra, nem sobre romance: na verdade a gente acompanha a vida da dondoca - o primeiro casamento (pra fazer ciúme ao amado, o que não surte efeito), a primeira viuvez (ainda muito jovem), a ajuda aos enfermos no hospital, a fuga desesperada para Tara, a miséria, a fome (e a famosa cena do juramento: "com Deus por testemunha, não sentirei vergonha se tiver que roubar, mentir ou matar; com Deus por testemunha, jamais sentirei fome novamente!"), a volta por cima (com o segundo casamento, por puro interesse, mentindo que a amada de seu marido já tinha aceitado outro convite), as mortes dos pais, o terceiro casamento (esse, por pura comodidade), a morte da filha e da amiga. Ela passa por tudo isso, mas não se deixa abater. Pra mim, soou muito "Joseph Climber" - qualquer um teria desistido, mas...

O problema é que nada disso faz com que Scarlet cresça. Tentaram me vender uma heroína corajosa, guerreira e forte, mas eu só vi uma menina teimosa, egoísta e birrenta, que faz de tudo pra não perder e que não soube aprender quando a vida tentou lhe dar uma lição. Ficou só a vingança contra a guerra, a fome, a miséria. Até o final, em que a cena deveria despertar esperança, só me mostrou o quanto ela era infantil: voltar pra casa e fazer o marido amá-la, quando ela sempre negou o amor que ele a oferecia.

Óbvio, não poderia deixar de comentar que eu adoro o estilo antigo de interpretação: as olhadas irresistíveis dos galãs, as mãozinhas na testa para demonstrar desespero, as luzes bem colocadas para destacar o que as atrizes tinham de melhor... Às vezes é até engraçado, quase canastrice. E aqui, não falta nada disso. A cenografia também, riquíssima e explêndida; os figurinos, bárbaros, com metros e metros de tecido sobre anáguas - tudo cheira a um glamour que só a Hollywood pré-blockbusters tem. Nem mesmo os filmes de época da atualidade, talvez até com muito mais requinte em suas produções, tem o mesmo charme.


A experiência foi interessante, descobri que o filme não era o romance "água-com-açúcar" que eu esperava que fosse. Mas ela precisaria de pelo menos um "...E o vento levou 2" pra conseguir se redimir das maldades que cometeu.

bjomeliga=D

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