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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Olhando pela janela

Jeff (James Stewart) é um repórter fotográfico que sempre consegue novos ângulos para sua revista. A ultima grande foto o colocou no meio de uma pista de corrida, ele acabou quebrando a perna. Preso em casa até sua perna melhorar, em uma época que não tinha televisão, ele encontra distração olhando pela janela. Espiando os vizinhos, ele começa a desconfiar que um deles tenha cometido um assassinato. Com a ajuda de sua noiva Lisa (Grace Kelly), e da enfermeira Stella (Thelma Ritter), ele vai tentar encontrar provas do crime.

Começando bem devagar. Observamos as janelas, a vizinhança, conhecemos Jeff com quem copartilhamos a janela durante todo o longa. Depois passamos aos vizinhos, quem são? O que fazem? O suspense é a apresentado de forma crescente, envolvendo o expectador aos poucos, a cada nova dúvida ou descoberta. Culminando em um clímax, onde a tensão nos faz falar com a tela, literalmente. "Saí! Não! Corre, corre!"

A formula pode ser batida para nós, (não era quando lançado) mas não importa, o que vale aqui é a execução. E o executor é ninguem menos que Hitchcock, que sabe muito bem como contar uma história. Tanto que o faz sem nunca sair do quarto de Jeff.

Assistir a tudo por uma única janela é uma metáfora para o cinema em si. O quarto de Jeff é a sala, sua janela a tela. E os personagens, assim como nós, meros expectadores condenados a tirar conclusões apenas pelo que é mostrado.
Com apenas um ângulo, vemos apenas o que o protagonista vê. Sabemos o que ele sabe, o que deixa sempre margem para dúvida. O que estamos vendo é real ou só estamos ligando os pontos errados. Isso nos faz oscilar entre a culpa e a inocência do suspeito constantemente. Bem como nos faz imaginar diferentes explicações para o mistério em ambas as situações. Hora queremos que seja culpado, hora achamos que a explicação para ele não ser seria mais interessante.

Além do suspense, é curioso assistir ao comportamento de Jeff, que teme fazer parte do mundo luxuoso de Lisa, mas não hesita em momento algum invadir janela a dentro a vida de seus vizinhos. Muito antes dos BBBs, o filme mostra a dificuldade que temos de nos relacionar com o que esta perto em contraste com a necessidade de observar o comportamento alheio. Dar uma espiada! Não tem como ser mais atual.

O elenco bem direcionado também é um ponto forte. Presos apenas a uma sala e com uma única perspectiva do mistério, cabe a eles nos manter interessados. Tarefa que cumprem muito bem com todo o charme de Grace Kelly, o humor de Thelma Ritter e o herói incomum (preso a uma cadeira, praticamente sem ação) de James Stewart.

Uma vez o mistério resolvido, tudo se acalma. Inclusive na vizinhança, onde parecem se resolver até os problemas com os personagens menos importantes (mas muito carismáticos), como a Bailarina, o compositor e a Sta. Coração Solitário. Deixamos nossos protagonistas com a sensação de "missão cumprida", e com a certeza de que devem procurar outros lugares para repousar seus, agora mais discretos olhos.

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