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sexta-feira, 12 de março de 2010

Gentileza gera gentileza

É impossível não terminar de ver A felicidade não se compra com um nó na garganta. Eu, então, que sou uma manteiga derretida, fiquei com os olhos cheios d'água. Às vezes faz bem pra alma acompanhar histórias que falem de bondade, generosidade, gratidão, assim, só pra variar. Porque tem horas em que a descrença no ser humano é tão grande que só mesmo um milagre para se conseguir enxergar um pingo de virtude nas pessoas. Mas, deixemos de ser pessimistas. Sim, o profeta estava certo: gentileza gera gentileza.

Pensem bem: quantos George Bailey vocês conhecem por aí? Um cara cheio de sonhos, ambicioso (no melhor sentido da palavra), que quer conhecer o mundo e realizar algo grandioso. Mas sua vida tomou outros rumos, ele se viu cheio de responsabilidades, e não fugiu de nenhuma delas. Passou a pensar menos em si e mais nos outros: no futuro promissor de seu irmão, na empresa que seu pai construiu, nas dezenas de pessoas humildes e trabalhadoras que não podiam contar com mais ninguém. Mas o tempo foi passando, e aquele menino cheio de desejos foi se transformando em um homem frustrado e amargurado. E, diante de mais um revés do destino (e da maldade de certas pessoas), tudo parece sem saída. 

Mas é justamente aí que Deus entra em cena, e se compadece de uma pessoa boa, que não teve tanta sorte na vida. Nessa altura do campeonato, só mesmo um tratamento de choque para fazê-lo perceber que o jogo ainda não tinha terminado. E nada mais impactante do que perceber que a sua existência modifica tanto o mundo a sua volta... E de repente George se dá conta de que realizou coisas grandiosas sim, mesmo sem se dar conta. Impediu que uma criança morresse e um homem inocente passasse o resto da vida na cadeia. Evitou a morte do irmão e possibilitou que ele se transformasse em um herói de guerra. Tantas vezes nem paramos para pensar nas consequências dos nossos atos, não é? Mas isso não significa que eles não façam diferença.

É isso que eu amo nos (bons) contos de Natal: eles têm magia, algo que eu sinto tanta falta nos filmes de hoje... Mas A felicidade não se compra tem isso de sobra. Logo no início, eu já tinha achado bem simpática a história de Deus e os anjos conversando e tomando conta da vida de George, as estrelinhas conversando... E gostei mais ainda de Clarence, um anjo de segunda classe, que só queria ganhar suas tão sonhadas asas (isso me lembrou muito o escoteirinho Russell de Up - Altas aventuras, que fez de tudo para conseguir  a medalha que faltava no seu uniforme). E o final, bem, o final é uma homenagem ao que ainda existe de bom no ser humano. Ou o que deveria existir.

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