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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Terapia em grupo

Mamãe sempre me disse: mentira tem perna curta e curiosidade mata

Filme difícil de acompanhar, hein?! Principalmente por causa dos gritos histéricos, muitos decibéis acima do nível saudável, das mulheres em cena. Que, aliás, me pareceu ser uma visão do diretor: mulheres são histéricas e melodramáticas e compreendem as necessidades masculinas (leia-se suportam passivamente uma "escapadinha" do marido - são até capazes de falar mal do marido/amante e rirem juntas de seus defeitos, e depois saírem dançando). Mas os homens não perdoam a ofensa e perdem a compostura brigando por uma mulher.

Coisa difícil de ver também são as cenas de caça. Me chamem do que quiserem, mas eu prefiro o politicamente correto dos filmes de hoje em dia a ver coelhos e faisões serem mortos daquele jeito. Pior é pensar que até hoje são caçados por esporte... Mas isso são outros quinhentos. O que interessa aqui é o filme.

Dizem que esse filme é sobre a sociedade e como ela se comporta, como se fosse uma amostra num microscópio. Pois se é assim, eu digo: ninguém é santo. Todo mundo tem culpa no cartório e, pior, nem se importa em tentar disfarçar. Até um assassinato acontece por causa de ciúme e orgulho, mas as testemmunhas são convidadas a entrar para o castelo como se fossem tomar um chá relaxante e, depois de um papo aprazível, irem deitar-se como se não houvesse um cadáver no quintal.

Outra visão interessante é a hierarquia, mesmo entre os empregados. Quem serve ao dono da casa é mais importante e respeitado pelo colegas; o caçador clandestino que é agraciado com um emprego fica responsável por limpar as botas de todos da casa. Outra coisa que não pode passar despercebida é a semelhança de roteiros entre A regra do jogo e Assassinato em Gosford Park. É até risível pensar que este seria indicado ao Oscar de melhor roteiro original. As semelhanças são muitas.

Confesso que não estava com a minha energia nas alturas ao ver esse filme(dormi duas vezes, mas porque estava cansada e não porque achei o filme chato), mas gostei do que vi. A honestidade e simplicidade geniais em que as pessoas são mostradas em situações ao mesmo tempo cotidianas e absurdas, e a forma blasé de encarar fatos cruéis (como morte, traição, ódio, vingança, inveja, amor não-correspondido) são coisa de mestre mesmo. Nas mãos de outro diretor, teria sido enfadonho ou muito teatral. Os figurinos são bárbaros (nem podia ser diferente), a fotografia também é excelente e muitas cenas geniais (as histórias se desenrolando enquanto as personagens assistem à apresentação de teatro, a luz focando o que você precisa ver). Não sei bem se entendi qual é a regra do jogo, mas acho que é "apenas finja que está tudo bem, então tudo estará bem". Mais do que regras, acho que esse filme explora os vícios que adquirimos com o viver em sociedade, no esforço de fazer tudo parecer ser ou estar perfeito.

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