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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Um pouco mais do diretor: Charles Chaplin

Antes de comentarmos Luzes da cidade, achei por bem falar um pouquinho mais sobre o grande artista que foi Charles Chaplin. Mais do que um diretor ou ator talentoso, Chaplin foi um gênio e se tornou referência em cinema mudo e comédias, um ícone, um mito. Conheça um pouco mais sobre sua vida e obra.

Sir Charles Spencer Chaplin Jr., filho de pais atores e cantores, nasceu em Londres, em 1889 ficou conhecido como Charles Chaplin durante a Era de Ouro do cinema americano. Além de atuar e dirigir seus filmes, Chaplin também era músico e compunha as trilhas de todos os seus filmes. Prova de seu talento inigualável para a arte, que o motivou a trabalhar por toda a sua vida, quase até a sua morte. Foram 75 anos de carreira em 88 anos de vida, uma vida intensa, e nos brinda com grandes pérolas do cinema e obras históricas. Por sua inigualável contribuição ao desenvolvimento da sétima arte, Chaplin é o mais homenageado cineasta de todos os tempos, sendo ainda em vida condecorado pelos governos britânico (Cavaleiro do Império Britânico) e francês (Légion d 'Honneur), pela Universidade de oxford (Doutor Honoris Causa) e pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos (Oscar especial pelo conjunto da obra, em 1972).

Seu personagem mais famoso é conhecido por aqui como "Carlitos", mas também atende por "Charlot" ou "O Vagabundo". É ele quem usa a cartolinha preta, o bigodinho e a bengala, e tem aquele passo desequilibrado tão característico. Talvez ele seja o personagem de filmes mudomais icônico de todos os tempos.

Os primeiros filmes de sua carreira são no estilo pastelão, caricatos. Depois ele introduz a arte da pantomima (interpretação baseada no gestual) em sua atuação e cria seu estilo, adequando as interpretações para filmar comédias românticas e farsas domésticas. Os filmes mudos que produzia foram capazes de atravessar todas as barreiras de linguagem, sendo compreendidos por todos os níveis da diversificada sociedade americana. Nesse contexto, Chaplin foi emergindo e tornando-se o exponente máximo do cinema mudo. Apesar dos filmes falados tornarem-se o modelo dominante logo após serem introduzidos em 1927, Chaplin resistiu a fazer um filme assim durante toda a década de 1930. Ele considerava o cinema uma arte essencialmente pantomímica.

Durante o avanço dos filmes sonoros, Chaplin produziu Luzes da Cidade (sobre o qual você vai ler nossas opiniões aqui) e Tempos Modernos (aquele da fábrica, em que ele sai repetindo mecanicamente os movimentos que fazia o dia todo) antes de se converter ao cinema falado. Esses filmes foram essencialmente mudos, porém possuiam música sincronizada e efeitos sonoros. Indiscutivelmente, Luzes da Cidade contém o mais perfeito equilíbrio entre comédia e sentimentalismo.

Cena de Tempos modernos

O primeiro filme falado de Chaplin, O grande ditador (1940), foi um ato de rebeldia contra o ditador alemão Adolf Hitler e o nazismo, e foi lançado nos Estados Unidos um ano antes de o país abandonar sua política de neutralidade e entrar na Segunda Guerra. Chaplin interpretou o papel de Adenoid Hynkel, ditador da "Tomânia", claramente baseado em Hitler (quem não se lembra da cena em que esse ditador brinca com um globo, fazendo a analogia "o mundo em minhas mãos, faço o que bem quero com ele"?) e, atuando em um papel duplo, também interpretou um barbeiro judeu perseguido frequentemente por nazistas, o qual é fisicamente semelhante a "O Vagabundo". O filme foi visto como um ato de coragem no ambiente político da época, tanto pela sua ridicularização do nazismo quanto pela representação de personagens judeus ostensivos e de sua perseguição. Adicionalmente, O grande ditador foi indicado ao Oscar de melhor Melhor Filme, Melhor Ator (Chaplin), Melhor Ator Coadjuvante (Oakie), Melhor Trilha Sonora (Meredith Willson) e Melhor Roteiro Original (Chaplin).


A famosa cena do ditador brincando com o globo

Os últimos dois filmes de Chaplin foram produzidos em Londres: A king in New York (1957), no qual ele atuou, escreveu, dirigiu e produziu; e A countess from Hong Kong (1967), que ele dirigiu, produziu e escreveu. O último filme foi estrelado por Sophia Loren e Marlon Brando, e Chaplin fez uma pequena ponta no papel de mordomo, sendo esta a sua última aparição nas telas. Chaplin morreu no Natal de 1977, na Suíça, devido a um derrame cerebral.

Quer saber mais detalhes sobre a vida de Chaplin? No site wikipedia.org, acessando este link, vcoê terá mais detalhes sobre a carreira, a (conturbada) vida amorosa, as técnicas de filmagem e outras passagens interessantes da vida fascinante desse grande mestre do cinema. Mais do que um gênio da sétima arte, Chaplin foi um mestre da arte de fazer sorrir, sem nunca deixar de refletir.

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