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Ninguém é de ferro

Jake (Robert de Niro) e Joey de la Motta (Joe Pesci): família cabeça quente

Touro indomável (Raging bull) é um filme como poucos: duro, direto e violento, mas ao mesmo tempo é tocante, envolvente. Adorei a história de Jack de la Motta (Robert de Niro, soberbo) em sua trajetória rumo à glória e seu inevitável fracasso. As interpretações espetaculares de todos os atores são só a cereja do bolo, que conta com uma direção precisa (Scorcese sabia o que queria mostrar e como queria retratar seu anti-herói), uma direção de arte caprichada e uma fotografia belíssima, além de um roteiro bem estruturado e focado. Sim, porque fala somente do que é necessário da vida do pugilista: mostra causas e efeitos de todas as ações e decisões de La Motta, sem ser negligente com nehuma passagem importante ou piegas em algum momento mais emocionante.

Interessante acompanhar o desenrolar da história. O longa começa com la Motta sobre o ringue, se aquecendo, em plena forma (enquanto acompanhamos os créditos) e depois corta, repentinamente para o mesmo la Motta vários quilos mais gordo, em um camarim, dizendo que "ele estava ali para o entretenimento". Não há vestígios nessa figura que lembre um grande lutador - ele até cita Shakespeare ao relembrar sua história - e eu pensei, por um momento, que ele talvez fosse um lutador mequetrefe, que só lutava para garantir um resultado para alguém. Aí começa a minha surpresa.

Daí em diante vemos um homem bruto, ignorante, um lutador que massacra os oponentes e que resiste às bordoadas mais fortes como se elas não incomodassem, se apaixonar perdidamente por uma jovem que exala inocência. Depois de largar a primeira esposa e conquistar a mulher amada, sua carreira está numa ascendente e tudo parecem flores. Mas as flores tem espinhos, e o espinho do ciúme fincou-se no coração de La Motta. Obcecado com a idéia de que a mulher o trai, acaba transformando a vida de todos em um inferno. Então o longa se transforma novamente, e o "conto de fadas" ganha tintas bem fortes de realidade. Recheado de palavrões e sangue espirrando pra tudo o que é lado, muitos socos e brigas em bares, muita discriminação e violência com as esposas e mulheres em geral, você começa a ter nojo da personagem. É como o velho Tommy diz, "porque ele sempre tem que complicar as coisas?" E então, quando você acha que não vai mais conseguir simpatizar com o cara, vem a decadência e a prisão de La Motta, e a cena mais tocante do filme pra mim: quando ele se revolta consigo mesmo e se questiona, flagelando-se contra uma parede, para depois perceber que não é o animal que os outros dizem que é, e chora sozinho, desamparado, desolado, arrasado, nocauteado pela própria incapacidade de ser maleável.

Mas a vida continua, e como o bom atleta que era, não seriam umas bordoadas da vida que o iriam por na lona (se nem Sugar Ray conseguiu...). Apesar de nunca ter reconquistado a glória que tinha quando foi campeão, e de não ter conseguido manter a paz e o conforto conquistado com a carreira no boxe, ele não desitiu. La Motta é uma força da natureza, e, com tal, ão pode ser contida. Ele se deixou engordar e foi viver de contar piadas ruins num bar decadente, mas não parou. Mudou de rumo, entrou para o ramo do entretenimento, mas não se deu por vencido. Ao vê-lo se preparando para o show, enquanto cita um diálogo de "Sindicato de ladrões", lembro de ter pensado "acho que finalmente o touro amansou". Mas foi só ele terminar de se ajeitar em frente ao espelho e levantar para eu verificar que eu estava enganada. É, mais um caso de tradução eficiente para títulos de filmes.

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