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segunda-feira, 14 de junho de 2010

A primeira superprodução americana

Desespero na guerra: heroísmo ou loucura?

Fiquei impressionada ao ler um pouco mais sobre o filme de D.W. Griffith e descobrir que esta foi a primeira superprodução americana. O filme é realmente grandioso, produção supercaprichada. Mas não é um filme fácil de agradar. Eu identifiquei três motivos pra "justificar" o meu parecer de "não gostei".

Primeiro: o filme é chato porque fala de um tema totalmente alheio a nós, brasileiros - a Guerra Civil americana, sulistas versus nortistas, blablabla. A gente já tem que aguentar muitos filmes americanos patriotas passando quase todo dia na telinha (vide a quantidade de vezes que Coração Valente passa na "Sessão de Sábado"), então confesso que não tenho mais paciência para o tema. Tudo bem que hoje a gente pode dizer que o tema está "batido", mas nos Estados Unidos de 1915, não era (e eu entendo isso). Mas, mesmo assim, assisti. De má vontade.

Segundo motivo: a trilha sonora, instrumental, não "casa" muito bem com as cenas em certas sequencias e, pra mim, é absolutamente irritante. Na época os filmes eram mudos, mas isso não quer dizer que a trilha necessite preencher todos os espaços. E, infelizmente, é isso o que acontece no filme.

E terceiro: o filme tem um viés raivoso, preconceituoso até a raiz dos cabelos. A família do sul é retradada sendo levada à bacarrota, destruída pela guerra - não com aquele ar de "olha o que a luta entre 'irmãos' fez com as famílias americanas", mas como se os sulistas tivessem razão e não fosse justo que eles tivessem perdido. Apesar de não gostar muito do tema, é óbvio que a gente aprende um pouco sobre a guerra civil - seja na escola ou no filme do Mel Gibson - e sabe que os sulistas eram contra a libertação dos escravos, um dos motivos para o início da guerra. Então, não dá pra engolir que, depois que o Norte ganha e o Sul é devastado, a Ku Klux Klan vai instaurar a ordem e a paz na região.

Mas eu tenho que ser justa com um filme de tal magnitude. Eu fui antipática desde o início, quando vi que se tratava de um tema que não gosto e por achar (no mínimo) estranho o argumento do diretor. Mas achei interessante alguns recursos usados, como as cenas de guerra serem vermelhas e dor que as fortes cenas de morte e corpos dilacerados transmitem (gente, era um filme de 1915!). Como o próprio diretor afirma, se ele conseguisse transmitir todo o horror que a guerra causou, então ele estaria satisfeito e o filme teria feito a sua parte. Além do mais, se não fossem essas primeiras grandiosas cenas de guerra, não haveria nenhum "Senhor dos Anéis" na história do cinema.

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