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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Violência gera violência


Que Robert De Niro é um ótimo ator, todo mundo está cansado de saber. Mas sempre é bom vê-lo brilhando em cena, como é o caso de Touro indomável. Scorsese sabia o que estava fazendo quando o escalou para o papel de Jake La Motta, um daqueles personagens pelo qual você tem que ficar o resto da vida agradecendo. É fácil não gostar do cara: o protagonista é um sujeito arrogante, estúpido, brutamontes, violento e metido a valentão. Mas, no fundo, não passa de um homem inseguro ao extremo, que tem ciúmes da própria sombra, que só consegue se afirmar com o título de campeão, que só sabe resolver tudo na porrada. E nem todas as lutas em cima do ringue conseguem extravasar isso. E aí sobra pra mulher, pro irmão, e pra quem mais estiver a sua volta. Quantos Jakes você não conhece por aí, hein?

É impressionante como a vida pessoal do lutador vai ladeira abaixo na mesma proporção em que ele vai conquistando as vitórias que tanto queria em sua carreira. Tudo por conta de seu temperamento instável e explosivo. Um pouco de sutileza às vezes é fundamental, Jake. Aliás, são chocantes as cenas de violência doméstica no filme: são bem verossímeis, e, por isso mesmo, revoltantes. E o desempenho de De Niro é excelente, assim como o de Joe Pesci, como seu irmão e empresário Joey, e Cathy Moriarty, como Vickie.

Por outro lado, as sequências de luta são as mais bonitas, esteticamente falando. Fora a estupenda direção de atores, Scorsese conseguiu fazer um belíssimo trabalho visual. Em primeiro lugar, com a escolha do preto e branco, que, por si só, já reforça a dramaticidade das cenas. Some-se a isso os closes e câmeras lentas, e o resultado é bem bonito. Tá, eu disse isso de cenas em que tem sangue jorrando para todos os lados, eu sei. E olha que sou uma crítica do esporte, justamente por causa da violência. Mas funcionou muito bem no filme.

Agora, sou obrigada a dizer que o que mais me chocou foi a barriga de responsa do sr. De Niro nos momentos finais do filme. Achei impressionante a transformação do atleta em um gordo preguiçoso, juro que não estava preparada para isso. A melhor imagem para a decadência do personagem. Mas cada um tem o que merece, né?

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