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sábado, 31 de julho de 2010

O nascimento de um gênero

Nunca achei que ver um filme de zumbis fosse tão divertido. Juro, pelo nome A noite dos mortos vivos, eu achava que o longa seriam 96 minutos de sangue e tripas. Ok, pode ser preconceito da minha parte, mas assistir a gente sendo comida viva não está entre os meus programas favoritos. Mas, no fim, foi uma experiência bem interessante.

 Em primeiro lugar, tenho que dizer que a fotografia do filme é incrível: o preto e branco dá um charme especial às cenas, o jogo de sombras só aumenta a tensão. O resultado é bem bonito. E vamos combinar que os mortos-vivos de George Romero eram até engraçadinhos. Uma cicatriz ou outra apareciam aqui, mas, em geral, eles pareciam até gente como a gente, só que com um andar mais desengonçado. Pra compensar, eles eram bem burrinhos. Só depois de uns cinco minutos espalmando (reflitam: espalmando, não socando) o vidro da mocinha, o monstrengo resolve pegar uma pedra para quebrá-lo? Tudo bem que Barbra (Judith O'Dea) também me decepcionou, só arrancando depois de sofrer por algum tempo e bate com o carro logo em seguida. Talvez a graça não tenha sido proposital, mas leveza é tudo.

Em seguida, para minha surpresa, o filme investe numa linha de terror mais psicológico, com uma bem-sucedida sequência de cenas claustrofóbicas e agonizantes dentro de uma casa abandonada. Isso me lembrou muito Sinais, um dos meus suspenses favoritos de M. Night Shyamalan justamente por esse clima. Agora sei em qual fonte ele bebeu. São várias coincidências: uma criança doente, as pessoas acompanhando as assustadoras notícias pela televisão... A diferença é que, em A noite dos mortos vivos, o inimigo também está dentro de casa. O irritante e egoísta Mr. Cooper (Karl Hardman) consegue provocar a discórdia num ambiente já caótico por motivos óbvios. Aliás, sacada de gênio colocar novos personagens em cena quando a gente achava que a história giraria em torno da nossa heroína, que perdeu o irmão no início da história. Sorry, Barb. E vou dizer que Ben (Duane Jones) é um dos mocinhos mais corajosos que eu me lembro de ter visto.

E quando a coisa começa a ficar meio arrastada, eis que surgem ações impulsivas que vão dando cada vez mais errado até resultar em um final tão surpreendente quanto necessário. Não dava mesmo para ser diferente, ou seria muito clichê. É impressionante o número de filmes influenciados por este clássico. Pense em qualquer filme de zumbi que você tenha visto, e vai ter algo que já estava neste longa de 1968. Tá, eu sei que em time que se ganha não se mexe, e homenagens são sempre bem-vindas, mas acho, sinceramente, que já está na hora de alguém renovar o gênero.

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