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terça-feira, 13 de julho de 2010

Quando você acha que está ficando louco...

... É porque tem alguma coisa errada. Na maioria das vezes, quando achamos que tem algo de errado, é porque estamos certos. Mesmo que ninguém acredite na gente. Mas quando você começa a duvidar de si próprio, então tem coisa errada. E é essa a sensação que fica ao fim do filme.

Blow up - Depois daquele beijo (Blow up) é um filme interessante. Extremamente visual (cada cena, se congelada, é uma fotografia), tem um ritmo característico do cinema italiano (apesar de ser o primeiro filme do diretor em inglês) e poucas falas, o que atiça a imaginação do espectador como a do fotógrafo. Você começa acompanhando um pouco da rotina do fotógrafo: trabalha no estúdio, sai um pouco, fotografa na rua, volta pra revelar os filmes e ampliar as fotos, escolhe as melhores, encontra o agente para discutir o lançamento do livro, volta pro estúdio. Então ele vê uma cena que acha interessante fotografar, um casal num parque, e resolve acompanhá-los. Descoberto, a mulher o pressiona a entregar as fotos. Mas ele não quer, porque ficaram muito boas e por não ter somente aquelas fotos no negativo. Pronto, amigo: você está enrascado.

Já diz o ditado: quem procura, acha.

Imagine que é você que vai andar por aí, só com uma câmera na mão, e de repente você chega em casa e percebe que tem em mãos a prova de um crime? E quando você volta pra investigar, percebe que era mesmo um crime, que o cadáver atrás da moita não era imaginação sua. Então sua casa é invadida, suas fotos e negativos levados embora e a única prova que você tem é o próprio cadáver, que precisa ser fotografado. Mas daí você pede ajuda pro seu amigo e ele não vai te ajudar porque tá muito doido. De enlouquecer, não?

Ressalto a cena mais diferente que eu já vi num filme: anos 60, Londres, show de rock num galpão abandonado, musicos bons e uma multidão... parada. Ninguém se movia, só ouvia. Estranhei muito. Só quando a caixa de som começa a pifar e o guitarrista se irrita e desconta nela e na guitarra a sua raiva que o pessoal mostra que está vivo. Seria a idéia do diretor mostrar como surgiu essa mitologia de que os astros do rock deveriam quebrar os instrumentos no palco pra animar o show?

O filme corre num ritmo lento, mas constante. O mais legal, pra mim, foi acompanhar os processos de ampliação das fotos. É incrível ver que uma simples foto pode esconder tantos detalhes, e que a ampliação e enquadramento fazem toda a diferença. Os filmes negativos dão possibilidades infinitas, fora o charme de se fotografar com uma analógica e ter um laboratório em casa pra fazer a revelação e ampliação das fotos (sonho de consumo, confesso).

O final é meio abrupto, mas faz a gente pensar: o quanto de importância a gente dá a coisas mínimas? Quantas coisas passam despercebidas pela gente? Será que vale a pena se preocupar com tudo? Ou às vezes é melhor deixar pra lá? Vale a reflexão.

3 comentários:

Anônimo disse...

Uau! Obrigado! Eu sempre quis escrever no meu site algo como isso. Posso tomar parte do seu post no meu blog?

Fabiane Bastos disse...

Caro Anônimo,

Pode sim! Este é um blog sob a licença Creative Commons. Isso quer dizer que você pode reproduzir seu conteúdo onde quiser, desde que dê o devido crédito.

Então, fique a vontade. E da próxima vez assine a postagem, para que também possamos conhecer seu blog e suas idéias.

Até
As Blogueiras do Sofá!

Geisy Almeida disse...

Olá!

Como autora do texto elogiado, só posso agradecer. Gostaria muito de saber quem é você e qual o seu blog, para dar uma olhada também.

Obrigada pelo carinho e pela visita ;]