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quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Cada Momento um Flash

"Olha o passarinho!"
Uma imagem vale mais que mil palavras. Especialmente quando ela mostra mais do que você pode ver. Algumas fotografias de Thomas (David Hemmings) são assim. Não é atoa, ele liga mais para ela que para as pessoas.

Em um dia comum de trabalho, ele trabalha em seu estúdio, mas também dá uma volta por aí, procurando imagens interessantes para seu livro de fotografias. Curiosamente, ou não, ele "passa batido" por cenas que dariam ótimas fotos, como uma dezena de mímico barulhentos em um carrinho, quatro homens vestindo trajes africanos em plena Londres, ou ainda um garotinho entediado, atrás de um portão.

Quando finalmente encontra algo interessante para fotografar Thomas, segue um casal enamorado em um belo parque, e escondido os fotografa. Focado no primeiro plano, acaba sem perceber produzindo provas de um assassinato. Acompanhamos, passo-a-passo, a descobertas que o fotógrafo faz ampliando as imagens, bem como sua reação. Meio confuso e totalmente sem ação ele nos leva a situações inusitadas, que mostram como a vida pode ser estranha.

Sabe como as pessoas se comunicavam no carro nos anos 60? Com um rádio, câmbio! Mesmo assim Blow-up é um filme com pouquíssimas falas, talvez por que Thomas, esteja sempre sozinho, observando, pensando. 

Devagar, quase parando, é assim que vemos o mundo através das lentes de Thomas. É interessante e cheio de coisas que agente não entende, como os mímicos, em uma partida de tênis imaginário. Também não entendemos o objetivo de algumas cenas, e personagens, o que eles estão fazendo ali? Será o reflexo das relações vazias dos nossos tempos? 

Perguntas! O filme faz muitas, seja relacionadas a história ou ao comportamento humano. O que o fotógrafo deve fazer? Ele realmente viu o que viu? O que ele viu? Como um pedaço de guitarra pode valer tanto para alguns, e se tornar lixo ao virar de uma esquina?

Respostas! Não traz nenhuma.O final em aberto nos deixa um pouco irritados, mas a essa altura já entendemos, a estranheza do mundo que o longa quer nos mostrar. Em um longa que apenas perguntas chegamos a uma conclusão. Nos contentamos com as belas imagens, e percebemos que assim como os takes de Antonioni, a cada momento a vida pode merecer um flash

"Sorria! Acada momento um flash!"

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