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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Fantástico!

A cena mais famosa do filme, no massacre à população solidária aos marinheiros revoltosos


Ainda estou impressionada com o filme. Rodado em 1925, apenas 20 anos após o incidente verídico, e com forte tom comunista, Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin, 1925) é um filme fantástico. Sem efeitos especiais mirabolantes e mudo, teria tudo para ser enfadonho, pelo menos na perspectiva dos filmes atuais. mas é exatamente o inverso disso.

O filme prende a atenção desde o início. Conta a história de forma quase literal através das imagens - eu assisti o filme com as (poucas) legendas em inglês e vendo as plaquinhas em russo (!!), mas dá pra entender absolutamente tudo: as interpretações, a trilha sonora e a edição contam a história por si só. Aliás, a edição merece uma homenagem à parte. Ela dá o ritmo certo à obra, mais lenta e suave quando precisa comover, mais rápida e aflitiva quando a tensão aumenta. Sensacional, e muito melhor que muita edição de filme de ação de hoje em dia.

Esse é o diferencial dos filmes bons, e é isso o que faz eles serem eternos. Não à toa Encouraçado torna-se referência para outros filmes memoráveis. As cenas são belíssimas e duras, ao mesmo tempo. É de embrulhar o estômago ver o massacre em Odessa e as condições subumanas dos marinhos no Potemkin, é de amolecer qualquer pedra ver a mãe subindo as escadas com o filho morto nos braços, de prender a respiração ver as multidão correndo tentando salvar a própria vida e aguardar os tiros de canhão dos outros navios, junto com os marinheiros encurralados. Simplesmente o máximo.

Assim que vi o nome do filme em nossa lista, não pude deixar de me lembrar de minha querida professora de história do Ensino Médio (segundo grau, para os íntimos) que vivia falando dele. Lembro da paixão com que ela falava sobre o filme, que era maravilhoso mesmo sendo em preto e branco e mudo, com legenda em russo. Lembro também que adorava quando ela não conseguia arrumar a fita VHS (sim, isso é do meu tempo) pra passar pra gente, e nós voltávamos pra aula normal. No auge de minha "sabedoria adolescente", eu só pensava em como seria chato se ela passasse o filme. Hoje me pergunto se eu seria mais crítica quanto ao cinema e à História. Fico imaginando como teria sido assistir esse filme com uma professora de História comentando. Se a experiência já foi ótima hoje...

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