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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sobre percepção

Segundo a Wikipédia, percepção é a função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas. Através da percepção um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para atribuir significado ao seu meio. Consiste na aquisição, interpretação, seleção e organização das informações obtidas pelos sentidos. Do ponto de vista psicológico ou cognitivo, a percepção envolve também os processos mentais, a memória e outros aspectos que podem influenciar na interpretação dos dados percebidos.
Calma! Você não digitou errado e caiu em um blog de aulas de português. Muito menos está em um daqueles dicionários on-line. Então, porque estou começando meu texto desta semana com a definição de percepção? Simples, porque ela é mutável e isso é ótimo!

Cerca de uma década atrás, na época do pré-vestibular, assisti a Cidadão Kane. Não achei ruim, mas chato confuso e arrastado. Durante essa decada entre a primeira impressão e a segunda seção do longa aprendi que nosso gosto, ou melhor, nossa percepção sobre as coisas muda conforme o tempo e as experiências que vamos acumulando. Então fui assistir ao filme sem preconceitos, e tenho orgulho de dizer: não me arrependi! E pelo visto, devo refinado minha percepção ao longo desses dez anos.

A maior busca por um significado já vista nos cinemas, para descobrir o que é "Rosebud" e, conseqüentemente, tentar entender o quebra-cabeças que é Charles Foster Kane. Contudo, antes de chegarmos a metade longa, já esquecemos a tarefa e nos deliciamos conhecendo Kane. Um pobre homem rico que poderia ter tudo, e até teve muitas coisas, mas não manteve nada, a não ser é claro seu nome. Um mito!

Não é atoa que o senhor William Randolph Hearst, que dizem ter inspirado muitas dos detalhes de Kane, tenha ficado tão chateado com a obra de Welles. Afinal, se as semelhanças eram tantas, ele poderia ter o mesmo solitário final. Não sei como Hearst terminou a vida, mas não deve ter sido igual. Ao menos não virou um mito, nunca ouvi falar dele até esta semana.

Não consigo encaixar Rosebud aqui!
De volta ao filme. Qualidades técnicas a parte, mesmo porque sobre essas não há como ter dúvidas (mesmo a dez anos eu não tinha), a narrativa é cativante, envolvente. Apresenta um grande personagem cercado de mistérios, nos fisga com a busca pela verdade, mas nos mantém pela história. Seja do homem, ou da imprensa difícil não se interessar.

Felizmente, nós espectadores, diferente dos pobres personagens, ao fim do filme descobrimos o que é "Rosebud". E com a mente livre desse mistério maior do que, quem matou Odete Roitman?, podemos pensar nos muitos temas embutidos na história. Estes vão desde a importância dos relacionamentos, e a importância que damos (ou não) a eles, ao poder da informação.

Não sei se o consideraria o melhor filme de todos os tempos, mas agora afirmo com certeza é um ótimo filme, que gostei muito de assistir. Que bom que a percepção é mutável. Que bom que sempre podemos "conhecer" novamente coisas antigas, tirar novas impressões, redescobri-las.

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