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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Filme para pensar (e muito!)

Sabe aquelas cenas onde vemos uma pessoa parada em um museu, paredes e pisos claros, observando por horas a fio um único quadro? Pouca coisa muda enquanto ele observa, embora sua mente explore as possibilidades de cada pincelada. Um número menor ainda faz sentido, mas o espectador não consegue desviar o olhar, sua mente está completamente presa ao que acontece naquela moldura. É essa a sensação ao se assistir 2001: Uma Odisséia no Espaço. E as razões para tal reação são muitas.

1968. 4 décadas! E ainda assim, o universo é de um realismo de tirar o fôlego. Além de extremamente belo, um presente para os olhos. Os cenários não ficam atráz, do hostil deserto pré-histórico, as naves minimalistas, andar nas paredes, economia de espaço, além de parecer muito divertido e futurista.

Difícil acreditar que a música não foi composta para ele, tamanha a perfeição com que imagem se som se completam, e a grandiosidade do resultado. A ponto de atualmente ser difícil separa-las. Toquem  Atmospheres composta por György Ligeti em 1961 para qualquer um que conheça um pouco se quer de cinema e este vai te dizer: é a musica de Uma Odisséia no espaço.

Então, conhecemos nossa aurora. Como descobrimos as ferramentas, deixamos de ser caça e nos tornamos caçadores, começamos a comer carne. Tem o monolito, e evoluímos. Evoluímos, até 2001. Passado para nós, mas futuro distante e cheio de possibilidades para as pessoas de 1968, em plena corrida espacial. No ano seguinte chegamos a lua, ou a um deserto estadunidense qualquer, mas isso é outra história.

Hall o primeiro PC amotinado dos cinemas!
Em 2001, viagens espaciais são rotineiras. Refeições em caixas de suco, ligações telefônicas com imagens (ei, realmente temos algo parecido com isso!), a "espaçomoça" pode elegantemente andar pelas paredes da nave. E tem o monolito. Meses mais tarde, uma missão super secreta. 6 tripulantes, 3 em hibernação, piloto, co-piloto e Hal, um computador que pode pensar e sentir como nós. Foi a primeira vez que aprendemos que dar poderes a objetos e máquinas em geral pode ser catastrófico.

Hal, apresenta defeitos, e fica bastante chateado quando seus colegas humanos resolvem desliga-lo. Onipresente e onipotente, ele resolve lutar para sobreviver. Um motim/extermínio depois, Kubrick nos mostra como somos indefesos na grandiosidade do universo. Solidão ao fim da missão, cenas oníricas que dão um vislumbre da solitária vida do único astronauta sobrevivente, Dave. Envelhecer e morrer sozinho, quem não teme isso? E para finalizar monolito! Seguido do renascimento, do que não tenho muita certeza, mas tudo bem!

O ritmo é lento contemplativo. Ação? Nem quando Dave precisa fazer uma manobra arriscada para voltar a nave. Uma cena de impacto, completamente em silêncio. Normalmente ouviríamos um estrondo, um baque, mas Kubrick sabia que o som não se propaga no vácuo. Os cineastas que se seguiram é que parecem ter esquecido e nos brindaram com espetaculares explosões barulhentas no espaco.

O Monolito: intrigante do início ao fim dos tempos!
Kubrick usa a maior passagem temporal já vista nas telas, da "pré-pré-história" até (pasmem!) nosso tempo, para nos contar uma história, que não nos conta quase nada. Entretanto abre diversos caminhos para que nós mesmos nos contemos a hiatória. Me avise se eu não estiver fazendo sentido algum!

Sinceramente, não achei que depois de dezenas de filmes o ultimo seria o mais difícil de resenhar. São tantas possibilidades de interpretação para o longa, que confesso: fiquei meio perdida, mas adorei a sensação de desorientação. E pensando melhor, é muito provavel que o objetivo fosse a busca pelo sentido, e não a explicação em si.

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