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sábado, 22 de janeiro de 2011

Quando os detalhes fazem a diferença


Eu tinha uma certa dificuldade de gostar de De volta para o futuro - parte II. Acho que era porque eu era fã demais do original, e o longa não tem o charme de Marty McFly viajando pelos deliciosos anos 50 nem a coisa edipiana (ou antiedipiana?) da mãe se apaixonando pelo filho ou Doc Brown descobrindo, maravilhado, que suas invenções vão dar certo um dia. Tá, era má-vontade minha. O segundo longa, feito, obviamente, no embalo do sucesso do segundo, mas com alguns anos de diferença (o que significa que não nos enfiariam um roteiro apressado e malfeito pela goela), tem qualidades sim. Ou você acha que falar de realidade alternativa num filme pipoca nos anos 80 era coisa pouca?

Era só chutar pro gol, já que o longa anterior tinha uma deixa espetacular. As idas e vindas no tempo continuam o máximo, mas a coisa agora é mais complexa. Primeiro, uma chegadinha a um futuro onde o pequeno Elijah Wood nem sonhava em ser Frodo; depois, uma volta a um passado que não existiu; e, por fim, uma espécie de remake do original, com direito a cenas extras. É muito legal relembrar essas sequências, você acaba criando vínculo com a história. E a possibilidade de esse passado modificado sofrer nova alteração deixa você pensando uns segundos. Ponto positivo. Mas acho que o que me decepcionou um pouco foi justamente a construção do futuro. Ok, a gente está acostumado a enxurradas de ficções científicas passadas no século 21 com chutes homéricos sobre o modo de vida da época. Mas é sempre engraçado (ou chato, decidam vocês), ver que muita coisa nem periga virar realidade ainda. Não precisar de estradas de verdade ia até ser uma boa, mas até agora só mesmo de helicóptero para fugir dos engarrafamentos.

Antes que me chamem de ranzinza, preciso dizer que o grande barato da série, na minha opinião, está no cuidado de Zemeckis com os detalhes, principalmente nas referências ao primeiro filme (o que acontece também na terceira parte da trilogia), como o "encontro" com a mãe - sempre na mesma situação, com Marty delirando e achando que tudo não passou de um sonho -, Biff sempre metendo a cara no esterco, o famoso (e importante para a trama) relógio da cidade em diferentes fases... Serve um pouco como um resumo dos últimos capítulos, mas, no fundo, é um atestado de competência. Não é todo mundo que consegue fazer isso não. E se Marty e Doc já estão acostumados a transitar no tempo e no espaço, a ideia de colocar uma personagem "nova" nesta viagem também funcionou bem. No caso, Jennifer, agora interpretada por Elisabeth Shue, é que descobre que não estamos preparados para tudo.

O final, enxutinho, também deixa óbvio que os roteiros das partes II e III foram pensados de uma vez só, e isso é uma vantagem e tanto. A sacada do raio (lembra que a potência para iniciar a viagem no DeLorean era parecida com a de um?) e da carta deixada pelo doutor são ótimas. Não tem como recusar embarcar numa viagem dessas.

2 comentários:

Anônimo disse...

Não, esse filme não é tudo isso não.
Primeiro que o Zemeckis e o Gale negaram toda a teoria do primeiro filme - como é que o cara viaja pro futuro e encontra com ele mesmo? Se isso acontecesse, as pessoas no futuro iam estranhar o fato de ele não ter envelhecido NADA em 30 anos.
E outra: o filme é muito sombrio e deprimente. O Biff passou de um bully sem cérebro a um sujeito maldoso, um assassino.
O primeiro filme era uma comédia de ficção científica. O dois é só um pega-trouxas. Saí do cinema com uma sensação forte de desconforto mental. Só fui ver o 3 por curiosidade. E gosto mais do 3 do que do 2, apesar de achar que o 1 é uma obra-prima que se fecha em si mesma.

Giselle de Almeida disse...

Concordo que o primeiro filme é ótimo e dispensava sequências. Mas nós bem sabemos como funciona a lógica dos grandes estúdios quando uma produção arrasa nas bilheterias. Caça-níqueis à vista. Por isso mesmo, acho importante ressaltar as qualidades dessa continuação, que foi feita com uns anos de diferença e pôde ser pensada.

Já a questão da viagem para o futuro é mais complexa. Na verdade, já estava sugerida no desfecho do primeiro filme, portanto... não nega teoria alguma. Não se esqueça de que estamos falando de realidades alternativas!

Obrigada pela visita e pelo comentário!

Abraços