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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

De Virginia Woolf, não tenho medo...

Cuidado, professor/marido frustrado armado!
Com o perdão do palavreado: que diabos serviram naquele jantar que precede os acontecimentos de Quem tem medo de Virginia Woolf? Não que o jantar fosse a causa da loucura dos personagens, mas é muito provável que a bebedeira iniciada tenha sido a ultima gota necessária para romper com tudo a represa.

O casal de meia-idade George (Richard Burton) e Martha (Elizabeth Taylor) recebe em sua casa um jovem casal que conhecera na mesma noite em um jantar, Nick (George Segal) e Honey (Sandy Dennis). A reunião já começa em altas horas, e com vários drinques previamente ingeridos. A medida que a noite avança, as conversas ficam mais ácidas, complicadas, agressivas e mesmo incompreensíveis. Transformando a reunião em um encontro deprimente.

É verdade! A sinopse não é nada promissora. Quatro personagens, que já nos são apresentados em estado alterado pelo álcool discutem suas neuras e mágoas, com berros, choro, e até vômitos. Juro que pensei: ou isso é muito bom, ou vai parecer um capítulo ruim de uma novela mexicana qualquer. Felizmente fui surpreendida pela primeira opção.

Rindo de seus problemas!
Novamente, é verdade, não entendemos muita coisa das neuroses intelectuais dos personages. Mas também não conseguimos desviar os olhos da tela, mesmo quando a choradeira das personagens criam algumas passagens monótonas. Sempre em busca de uma explicação e/ou desfecho para tanto drama.

O texto afiado, que nos faz nos perder, nas questões filosóficas e nos segredos de cada um dos quatro, é afiado e completamente louco. Resultando em uma catarse coletiva que permite falas insanas como "Eu sou a mãe terra e vocês são todos bundões". Ou ainda em diálogos inspirados onde as pessoas não estão necessariamente conversando entre si, como "Eu vou morrer". "Ótimo, faça, vá em frente!".

Mérito para o quarteto de atuação, que de tão afinado e entregue aos personagens, todos foram indicados ao Oscar (apenas as moças faturaram as estatuetas). Liz Taylor, desconstruida, escandalosa e sem seu glamour, me convenceu como nunca. Talvez seja culpa dela que a Academia acredite até hoje que, se uma mulher se despe de sua beleza, é porque vai mandar bem na atuação.

Terapia em grupo, catarse coletiva, ou inauguração
de hospício: você escolhe
O que dizer de Sandy Dennis, uma desconhecida para esta blogueira até ontem, é a melhor em cena. Migrando de uma mocinha recatada (filha de pastor e tudo), para uma moça que dança como o vento. E nos fazendo perguntar quem em sã consciência deixaria essa moça sozinha por aí?

Quem tem medo de Virginia Woolf? me fez descobrir que adultos também precisam de supervisão, algumas vezes. E que em outras o implantar e vivenciar a insanidade e o caos é a melhor forma de resolver seus problemas.

Medo de Virginia Woolf, eu não tenho. Já dos personagens....

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