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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tensão do início ao fim


Direção é mesmo tudo. Foi só eu falar aqui que Gata em teto de zinco quente parecia teatro filmado que vem o filme seguinte me surpreende positivamente. Também baseado em uma peça, Quem tem medo de Virginia Woolf? é tão verborrágico quanto, mas é tenso do início ao fim e consegue prender a atenção do espectador - e não se esqueçam de que estamos falando do longa de estreia de Mike Nichols. Está certo que o casal de protagonistas é, digamos, maluco. Você faria uma visita a Martha e George às 2h30 da manhã? Eu não! É caso pra anos de terapia.

Tudo começa quando George (Richard Burton) e Martha (Elizabeth Taylor) recebem o casal Nick (George Segal) e Honey (Sandy Dennis). Nick é um professor recém-contratado pela universidade onde o pai de Martha é reitor. O que deveria ser apenas um encontro informal para criar intimidade entre eles acaba numa grande lavagem de roupa suja, em que todos os podres dos quatro vêm à tona em doses cavalares. Sério, programa da Márcia Goldschmidt perde. Só que com alguma sofisticação, se é que isso é possível.

Primeiro, temos que reconhecer que o texto de Edward Albee é um prato cheio para qualquer um, com uma certa dose de mistério, dramaticidade exarcebada, algumas pegadinhas e infinitas variações. Os personagens vão da ironia ao desespero, passando pelo sarcasmo e chegando ao alívio em questão de minutos. É trabalhoso acompanhar essa maratona emocional, mas o resultado vale a pena.


Liz Taylor, que só vi em filmes até então com a beleza intacta, está irreconhecível: envelhecida, alguns quilos acima do peso ideal e totalmente entregue. Até a voz está diferente, mais encorpada. Se o nome dela não estivesse nos créditos, poderia dizer que é outra atriz. Infinitamente melhor, diga-se de passagem. Mas seu então marido e parceiro de cena, Richard Burton, está igualmente impecável. Não sei dizer qual dos dois me perturbou mais. E nem preciso falar que George Segal e Sandy Dennis também estão ótimos: estão aí as quatro indicações ao Oscar que não me deixam mentir.

No meio daquela loucura toda, que muitas vezes parece sem propósito (onde foi que eles deixaram os modos? acaso não sabem manter a pose?), é possível ver um casal em sofrimento, em carne viva, que se consome e se destrói mutuamente. Triste, não? A revelação final, que na verdade é só uma confirmação do que a gente já suspeitava, torna tudo ainda mais profundo. E triste.

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