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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Perdido na tradução


Sempre que vejo um filme, dou muito valor ao texto, e acredito mesmo que um roteiro bem escrito seja a garantia de 70% de um bom filme. Muitas vezes essa minha teoria se confirma, mas Gata em teto de zinco quente é a prova de que, às vezes, os outros 30% fazem muita falta. Sim, o filme tem personagens ótimos, excelentes atuações e diálogos brilhantes. Mas o resultado que se vê na tela não ultrapassa a mera tentativa de se filmar uma peça. E cinema, amigos, não é isso. Como diria a sabedoria popular, cada um no seu quadrado.

O texto de Tennessee Williams é afiado. Seja na relação nada harmoniosa entre Maggie e Brick, ou no grande ambiente familiar comandado (?) por Big Daddy, as pessoas são de uma sinceridade absurda. Mais ou menos o que seria uma festa de fim de ano, mas com roteiro, claro. E não estou falando daquelas discussõezinhas mais ou menos de Brothers and sisters ou novelas do Manoel Carlos, onde todo mundo diz o que quer, mas logo encarna o espírito natalino e resolve fazer as pazes. Como assim?

O melhor do longa de  é a quantidade de veneno despejada em cada diálogo ou mesmo no olhar. Reparem bem: o patriarca da família, à beira da morte, não suporta a esposa, não se dá bem com o filho, que se tornou um alcoólatra, e virou alvo da ambição do outro. A mulher deste vive de fazer intriga e de bisbilhotar a vida íntima da cunhada. Tudo perfeitamente crível, e com doses altíssimas de inveja, intriga, ódio, rancor, ganância, insensibilidade. A natureza humana exposta, uma beleza de se ver.

Acontece que cinema requer um pouco mais de requinte do que o filme apresenta. Loooongas sequências de diálogos podiam até ser toleráveis em 1958, mas hoje, é preciso um pouco de paciência para acompanhar esse ritmo. Ainda bem que fomos presenteados com um elenco de primeira qualidade. Elizabeth Taylor está bem convincente como a mulher determinada a salvar seu casamento, mas Paul Newman (lindo, lindo) é que faz miséria em cena. Nem tudo está perdido, ainda bem.

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