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quarta-feira, 9 de março de 2011

Difícil vida de mulher!


Que bom que nasci no século XX, pois depois de assistir a Razão e sensibilidade estou convencida: era difícil ser mulher na época de Jane Austen. Só mesmo vivendo naquela realidade para ser capaz de impor tantas dificuldades as suas protagonistas.

Na época mulheres não tinham o direito de herdar nada. Logo, Elinor, Marianne, Margareth e sua mãe se veem em maus bocados quando o patriarca da família morre e toda a herança é herdada pelo filho do primeiro casamento. Este, por sua vez, não cumpre a promessa feita no leito de morte de seu pai de que cuidaria das meias-irmãs. Então as moças de repente precisam encontrar uma nova casa, e, segundo as regras do namoro da época, deixam de ser bons partidos, uma vez que não têm dote algum.

Elinor (Emma Thompson), a mais velha e racional das irmãs tenta resolver tudo da maneira mais lógica possível. E não demonstra seus sentimentos, medos e frustações, nem quando cai de amores por Edward Ferrars (Hugh Grant) e é logo separada dele por ser "inadequada", mesmo tendo o rapaz respondido ao romance.

Sensibilidade e Razão
Marianne (Kate Winslet) é a irmã sonhadora e sensível. Sem medo de demonstrar seus sentimentos, claramente rejeita o amor sincero do Coronel Brandon (Alan Rickman), por uma paixão frenética e meio inconsequente por John Willoughby (Greg Wise).

Estão aí! Razão e sensibilidade personificadas em duas moças do século XIX, que depois de muito vai e vem, acabam encontrando seu caminho. É um romance doce e com ritmo devagar, daqueles para curtir em uma longa tarde chuvosa, debaixo das cobertas.

O curioso neste longa é que seu ponto fraco e forte são o mesmo: as atuações. Sempre competente, e roteirista Emma Thompson, esconde (meio que mostrando) muitos sentimento sobre incrível força. Enquanto uma Kate Winslet (pré-Titanic) é sonhadora e doce. Ambas em perfeita sintonia, equilibrando seus personagens opostos. 

Atuamos bem, mas
matamos a aula de química!
O resto do elenco, cheio de estrelas britânicas, acompanha bem. Contudo, não pude sentir muita química entre os casais. Se não rolou química mesmo ou é resultado das regras do namoro no século XIX ainda não decidi. Mas fica muito evidente se comparado a outra versão de um romance de Jane para as telas, Orgulho e preconceito, de 2005. Por ora, meu favorito.

Divertido é ver Imelda Staunton aborrecer Hugh Laurie ao extremo. Aposto que a rabugice de House começou a nascer neste estranho casamento. Por isso, pela reconstrução de época, pela afinação das protagonistas e pela história, ainda é um filme delicioso, mesmo que o romance deixe a desejar.
Criando House!

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