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sexta-feira, 18 de março de 2011

Mulher no volante, perigo constante

Thelma e Louise: armadas e perigosas

Já não lembro há quanto tempo eu assisti a Thelma & Louise pela primeira vez. Muita coisa eu já havia esquecido (nem lembrava do meu querido Michael Madsen no elenco), mas alguns detalhes continuavam vivos na memória: o espírito "pé na estrada", Brad Pitt novinho e lindo, e o final. Sim, aquele final é inesquecível. Talvez uns achem exagerado. Ou piegas. Ou metafórico demais. Mas eu achei bonito. Poético, eu diria. E libertador. Um desfecho perfeito para as duas amigas que pegam a estrada inadvertidamente e veem sua vida se transformarem a cada parada, a cada decisão errada, a cada ato impensado. Era uma nova vida que começava ali. Mas não havia espaço para ela no mundo real.

Thelma (Geena Davis) é a que mais mais se modifica durante a jornada. Casada com um troglodita machista e autoritário, ela leva uma vida infeliz, sem muita perspectiva. E só concorda viajar no fim de semana depois de muita insistência da amiga, Louise (Susan Sarandon). Deslumbrada com a liberdade temporária, ela perde o bom senso com facilidade e se mete numa enrascada atrás da outra. Chega a ser irritante, e eu mesma não teria paciência com ela, extremamente infantil, distraída, inocente, burra até. E isso fica mais evidente quando ela tem que tomar decisões por conta própria. Ela não está acostumada a ser dona do próprio nariz, é só uma dona de casa submissa que abriu mão da própria felicidade.

Com uma parceira dessas, Louise é quem precisa tomar a rédea da situação quando elas arrumam um problema daqueles. Perseguidas pela polícia, elas começam uma fuga desesperada, sem qualquer planejamento ou cuidado. Aos poucos, vão percebendo que não podem confiar em ninguém. Coisa que todo ser humano já deveria nascer sabendo. Adoro o ritmo que a trama vai assumindo a partir daí: a cada novo obstáculo, elas vão amadurecendo, na base da porrada. É questão de sobrevivência.

Mas tenho que dizer que adoro o personagem que representa a essência machista neste filme que é considerado por muitos um símbolo feminista (chaaaatos esses rótulos, né?): o marido de Thelma. Como disse antes, o cara é um poço de ignorância, que acha que pode tratar a mulher do jeito que quiser. Mas o "castigo" para o seu comportamento vem do jeito mais inusitado que se poderia imaginar: depois de exigir que a mulher voltasse para casa, a fim de continuar cozinhando, lavando e passando como de costume, ele descobre que as coisas não vão voltar ao que eram. Sua pobre e frágil esposa agora é uma criminosa, uma fugitiva caçada pelo FBI em não sei quantos estados e flagrada num assalto pela câmera de segurança. Quem? Sim, querido, ela mesma. Como o mundo dá voltas, não? Pra piorar, ele ainda descobre que virou corno. E não foi com qualquer um não, era o Brad Pitt. Adoro. 

Só não dá pra entender muito bem o personagem do Harvey Keitel. Por que tanto interesse em ajudá-las? E por que tantos policiais envolvidos nessa caçada, meu Deus? Não era pra tanto. Eram só duas mulheres assustadas e despreparadas, que, diante dos acontecimentos, dão lugar a duas mulheres armadas e perigosas. Ah, deve ser daí que vem o ditado, né? Mulher no volante...

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