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sexta-feira, 22 de abril de 2011

É Jack Nicholson e mais dez


Assim com a Regina Duarte há tempos atrás, eu tinha medo. Porque eu achava que O iluminado era daqueles filmes que assustam à base de aparições, portas fechando, luzes piscando e todos os outros recursos que você já deve ter visto num suspense na vida. O negócio é: tirando um sustinho aqui e outro ali, você fica mesmo é tenso com tudo que acontece da metade pro final do longa. Juro, meu coração acelerou, e eu fiquei agoniada. E tem gente que acha que sair esfaqueando os outros (sim, estou falando de Pânico, Jogos mortais e afins) é que causa adrenalina. Tolinhos.

A história é boa? Sim, e isso, vocês sabem, já é meio caminho andado pro filme ser bom, mas Stanley Kubrick, que não era bobo nem nada, tinha um outro trunfo maior ainda na manga: Jack Nicholson. O cara é simplesmente um dos maiores atores que eu já vi. E o que é mais impressionante é que ele faz drama, comédia e suspense com a mesma facilidade e a mesma qualidade. Sério, se alguém convidá-lo pra uma ficção científica musical com diálogos em inglês arcaico, ainda assim ele vai fazer um trabalho soberbo. E seu xará, Jack Torrance, à medida que vai mergulhando na própria loucura, consegue ser mais assustador que qualquer monstrengo ou fantasminha camarada.


E o que é Danny Lloyd, né, minha gente? Aquela fofura tendo que filmar aquelas sequências assustadoras... É uma pena que ele não tenha seguido a carreira. Achei ele ótimo, e ele deve ter tido um treinamento maravilhoso, porque, apesar de ter só 6 aninhos, ele realmente construiu o personagem: introvertido, pensativo, até esquisito, mas, ainda assim, fofo. O pequeno Danny da história tinha um dom que não era dos mais fáceis de se carregar. E, no final das contas, ele se revela a pessoa mais normal da família.

Se os dois atores estavam ótimos (elenco enxuto é ótimo, né?), também não posso deixar de elogiar Shelley Duvall. No início, achei que ela parecia lesada demais, o que dava um pouco de raiva. Mas quando a ação começa a se desenrolar no Hotel Overlook, ela realmente conseguiu me convencer que estava desesperada. Também, quem não estaria? E me surpreendeu pela atitude: as cenas em que ela se dá conta de quem é o verdadeiro perigo e tem que salvar a própria pele são de cortar o coração. Seu marido ali, trancado na despensa, pedindo desculpas e falando sandices em menos de cinco segundos, é de fundir a cabeça de qualquer um.


No geral, gostei muito do filme. Só acho que o longa precisava de um pouco mais de tempo pra mostrar o efeito do enclausuramento em Jack. Não precisava ser um longa de quatro horas, mas, pra mim, acabou ficando um pouco apressado, embora não seja nada comprometedor. Outra coisa que podia ser mais explorada é o intrigante amigo invisível de Danny. Ele também me deu medo, mas, diante dos acontecimentos, acabou esquecido. O que terá acontecido a Tony? Eu gostaria de saber...

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