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sábado, 16 de abril de 2011

Por trás daquelas grades também bate um coração


Podem tirar sua liberdade, podem tirar sua dignidade, podem tirar até sua identidade, mas não podem tirar seu sonho. É tão lindo isso. Pode ser clichezão, mas é impossível não se emocionar com Um sonho de liberdade. Injustiça a gente está cansado de ver, todos os dias, em todos os lados. Andy Dufresne podia ser só mais um deles. Mas, coitado, é muita desgraça para um homem só, é de partir o coração. Gente inocente não devia sofrer assim não.

O grande problema é: alguém aí acreditaria na inocência dele? Diante de todas as circunstâncias, todos os fatos, todos os argumentos, é praticamente impossível convencer alguém do contrário. O resultado são duas prisões perpétuas, uma para cada vítima. Imagina passar duas vidas em Shawshank? Dá pra entender o desespero nos olhos de Tim Robbins. O que não dá pra entender é aquela calma... Será mesmo que ele poderia se conformar e passar seu tempo ocioso lapidando pedrinhas? Quantos tabuleiros de xadrez custaria sua sanidade? Nem mesmo a maior biblioteca da América poderia confortá-lo.  

Cena emblemática de Um sonho de liberdade
Graças a Deus, na mente daquele homem enigmático existia um dos mais brilhantes planos de fuga da história do cinema. Não, o mais brilhante. O desfecho perfeito para uma enorme sequência de violências, abusos, humilhações, chantagens. Coisas que a gente já imaginava que existia. Mas alguém aí já pensou em gente que fosse sentir falta de uma prisão de segurança máxima a ponto de apelar para atitudes extremas? Eu nunca tinha visto a questão dessa forma, nem nunca tinha parado pra imaginar os efeitos que uma pena de 20, 30, 50 anos é capaz de fazer com um homem. A passagem do tempo em Shawshank é lenta. Tanto, que o velho Red já ameaça perder a esperança de voltar ao mundo lá fora.

Antes que me interpretem mal, não estou defendendo criminosos, longe disso. Mas não dá pra ficar indiferente aos dramas daqueles homens vendo Um sonho de liberdade. Porque ali eles são mais que bandidos, assaltantes, sequestradores, estupradores, assassinos. Sim, eles dizem que são todos inocentes, mas nós sabemos que não é bem assim. Só que, às vezes, esquecemos de que também são seres humanos. Ainda bem que Stephen King e Frank Darabont estão aí para nos lembrar disso com um filme tocante desses. Uma das cenas mais bonitas pra mim é aquela em que Andy dribla os guardas e coloca música no alto-falante. Foram poucos minutos, é verdade, talvez até segundos. Mas arte e beleza são tão necessários pro espírito quanto a comida é para o corpo. Empatia ainda é uma virtude.

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