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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Digging the Dancing Queen

Duvido que voce não vá ficar com a famosa música do Abba ecoando na sua cabeça por pelo menos 3 dias depois de assistir a O casamento de Muriel (Muriel's wedding, 1994). Ela toca no toca-fitas (!!) da protagonista Muriel (Toni Collette, perfeita e bem gordinha) toca vez que ela precisa dar uma alegrada, uma levantada na moral. E essa é uma constante na vida da pobre Muriel...
Sente a decoração do quarto: é ABBA que não acaba mais!

O filme começa mostrando que a vida de Muriel não é um mar de rosas. Típica loser, gordinha, feia, esquisita e mal vestida, Muriel consegue pegar o buquê do casamento de uma de suas amigas. E logo vem a pedrada: ouve da amiga loira, bonita e burra que não era pra ela ter pego o buquê, uma vez que ela não ia se casar nunca mesmo. É para acabar com qualquer resquício de auto-estima, né? E quando você acha que nada podia piorar a situação, eis que a Lei de Murphy se manifesta. Acusada de roubar o vestido novo (e horroroso!) que está usando na festa, ela diz que é inocente. Na verdade, ela ganhou o vestido da mãe.

Aí a gente descobre que o buraco é mais embaixo. Filha mais velha de um candidato a político não muito escrupuloso, ela mora com a mãe doente (sofre de Alzheimer) e mais 3 irmãos que não fazem absolutamente nada pra agradar a Deus. O pai também, em vez de incentivar os filhos a serem alguém melhor, já desistiu da família há tempos. E tem vergonha deles, principalmente de Muriel. Não deve ser nada fácil sobreviver numa família dessas. Então temos uma protagonista gordinha, que nunca namorou ninguém, que é ridicularizada pela família e pelas pseudoamigas, que não tem trabalho nem tem nenhuma vocação para nada. Sua única fixação é casar-se, com qualquer um que seja: o momento em que ela seria noiva sublimaria todos esses momentos ruins de sua vida. É até triste pensar nisso.


Rhonda e Muriel: as rainhas da dança

Então surge Rhonda (Rachel Griffins), uma antiga amiga de colégio. A típica amiga esquisita, que não tá nem aí para o que vão falar dela, o oposto de Muriel. E era justamente isso o que faltava para nossa protagonista dar uma reviravolta na vida. Muda-se com ela para Sydney (após ter roubado uma boa quantia do pai) e lá, longe dos insultos constantes e das amigas falsas, Muriel consegue finalmente viver. Trabalha em uma videolocadora, se veste melhor (um pouco, vai...), tem postura mais confiante. Até um pretendente ela arruma. Para quem não tinha perspectiva de vida, sua vida está indo de vento em popa. Mas um acidente em casa acaba deixando sua amiga paraplégica, e ela se vê às voltas com um dilema: continuar a cuidar da amiga, arrumar um marido ou voltar pra casa pra cuidar da mãe doente?

O destino acaba por resolver a situação. Muriel finalmente arranja um noivo. Louro, alto, sarado, olhos azuis. Não, não era piada. Era negócio. Ele é um promissor nadador, mas estrangeiro. Não poderia competir pela Austrália a não ser que fosse casado com uma australiana. Então, o tão sonhado casamento de Muriel. O noivo lindo, o vestido de princesa, as amigas morrendo de inveja. Tudo o que ela sempre quis. Detalhe: hilária a cena do noivo suando frio, tenso na hora de dizer o 'sim'.


A cara de "onde foi que amarrei meu jegue?" do noivo...

Mas nem tudo são flores, e omarido nem liga pra ela. A doença da mãe só piora e ela não tem ajuda de ninguém, nem dos filhos, nem do marido. A melhor e verdadeira amiga está chateada por ter que voltar a morar com a mãe, já que não podia mais pagar o aluguel nem viver sozinha. Com o suicídio da mãe, Muriel resolve dar um basta definitivo na sua vida de derrotada. Volta pra casa para acertar as contas com a família, devolve o dinheiro que pegou do pai (com o dinheiro que recebeu pelo casamento armado), termina o casamento com o noivo lindo porque eles não se casaram pelos motivos certos, pede para Rhonda voltar a morar com ela em Sidney - o lugar onde ela podia ser ela mesma.

O filme é emocionante do início ao fim. As cenas em que Muriel mostra toda sua estranheza são hilárias e Toni Collette está impagável. O tom pesado do discurso do pai é altamente contrastado com a pureza do olhar da mãe e a indiferença dos irmãos. E isso me cativou. Você pode chorar de tanto rir quanto chorar por sentir o desespero em que a pobre Muriel se encontra. A cena final, das amigas no táxi, se despedindo da cidade é emblemática: dê adeus àquilo que te faz mal e viva a vida. Uma lição e tanto, aprendida de forma sutil, divertida e emocionante. Se você não se emocionar com a história de Muriel, nem sseguir o seu exemplo, então o loser é você. Só não vale copiar o guardarroupa da moça!

2 comentários:

Giselle de Almeida disse...

Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando escolhi um filme que tinha Abba no meio. Eu não mereço!!!!!!

Fabiane Bastos disse...

Foi vc quem sugeriu esse? kkkk Achei que tinha sido a Geisy! kkkkk

Mamma Mia!!!! o feitiço virou contra a feiticeita!