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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Duas visões, uma noiva

Quem dissem que todo filme que figura por aqui é novidade para as blogueiras que vos escrevem? Algumas vezes são velhos conhecidos. A noiva cadáver foi tema de um curioso trabalho de pós-graduação que visava comparar duas visões de um mesmo produto. Considerando nossa cinefilia e nossa adoração pela dobradinha Burton+Depp, a escolha foi a mais acertada.

Confira abaixo textos três anos atrás e depois compare com as resenhas publicadas durante a semana aqui no DVD, sofá e pipoca, e descubra se o projeto funciona. Estamos mesmo nos tornando cinéfilas melhores???

P.S.: Nessa época a Gi já era mais criativa que eu na invenção de títulos. Repare!


A Noiva-Cadáver
Por Fabiane Bastos

Em A Noiva-Cadáver TimBurton, retoma a técnica stop-motion (onde as cenas são fotografadas quadro a quadro), usada em O Estranho mundo de Jack, para contar uma lenda russa passada no século XIX. O desastrado Victor Van Dort, filho de novos ricos, tem seu casamento arranjado com Victória Everglot, filha de uma tradicional, e falida, família aristocrata. Após arruinar, por acidente o ensaio de casamento, Victor acaba desposando por engano uma noiva cadáver.

O visual segue o estilo sombrio dos outros filmes do diretor, que faz uso das cores para criar um contraponto entre o mundo dos vivos e mortos. Enquanto os vivos presos a regras e tradições vagueiam por um mundo monocromático e sem graça, os mortos habitam um mundo alegre colorido, com muita musica, bebida e ligeiramente mais vivo, que os colegas lá de cima.

Recheado de humor-negro, com piadas textuais e principalmente físicas, uma vez que metade dos personagens está em decomposição, o filme ainda traz canções de Danny Elfman. O compositor, parceiro do diretor em varias produções, apresenta músicas divertidas que impulsionam a história.

Burton traz de volta outras parcerias. Jhonny Depp, no seu quinto trabalho com o diretor interpreta Victor. A noiva cadáver do título fica a cargo de Helena Boham Carter esposa do diretor e parceira dele em outros três filmes. Christopher Lee faz seu terceiro trabalho com Burton como o pastor Galswells. Não é coincidência o fato dos três atores estarem presentes em A Fantástica Fábrica de Chocolates, produção paralela do diretor, que aproveitou as folgas nas filmagens para gravar as vozes. O elenco ainda traz Emily Watson, Albert Finney, Richard E. Grant, Joanna Lumley entre outros.





A morte é animada
Por Giselle Almeida

A sinopse de A noiva cadáver pode até enganar o espectador menos atento: jovem rapaz se casa com uma mulher morta. Sinistro? Nem um pouco, quando se trata de um filme de Tim Burton. Antes de tudo, o longa de animação é uma história de amor. Nada tradicional, é verdade, mas incapaz de assustar qualquer criancinha.

O filme conta a história do jovem Victor van Dort, que conhece a noiva, Victoria Everglot, apenas um dia antes de se tornarem marido e mulher. O casamento foi arranjado pela família dos dois: os pais dele, de origem humilde, querem ser aceitos na sociedade; os pais dela, ricos falidos, estão em busca de estabilidade financeira. Os jovens, alheios às conveniências, estão conformados com uma vida de infelicidade em comum. Mas quis o destino que eles se apaixonassem à primeira vista. Tudo correria às mil maravilhas se, no ensaio para a cerimônia, Victor não se atrapalhasse mais do que devia com os votos nupciais. Ele decide ensaiá-los no meio da floresta e acaba, por engano, pedindo em casamento Emily, a noiva cadáver do título.

O mal entendido leva Victor até o mundo dos mortos. Eis aí a grande sacada do filme: ao contrário do mundo dos vivos azulado, frio e monótono o lado de lá é bem mais agradável, colorido e alegre. Os recém-chegados, por exemplo, são recebidos com festa, à base de muita bebida e música. Todos comemoram o fato de Emily finalmente se casar, depois de ficar muito tempo à espera de um novo amor, desde que foi assassinada. Mas o final feliz do casal inusitado não é tão simples assim: Victor ama Victoria... e está vivo! Aí tem início a odisséiado jovem para desfazer a confusão.

Johnny Depp cai como uma luva no papel de Victor e a senhora Burton, Helena Bonham Carter (ambos presenças constantes nos trabalhos do diretor), dávida a Victoria. Christopher Lee, o Saruman de O senhor dos anéis, faz uma participação como o pastor Galswells. Os personagens secundários são muito bem construídos (e divertidos), como a larva que mora dentro de Emily, sempre com um conselho na ponta da língua. Destaque também para a seqüência em que os mortos e os vivos se encontram, bem diferente do que estamos acostumados a ver em filmes de terror.

O fato de ser uma animação não significa que A noiva cadáverrepresente uma ruptura na filmografia do diretor. Tanto na estética quanto na temática, ela retoma os traços mais marcantes de sua obra: o visual sombrio e o gosto pelo bizarro. Afinal, são poucos os que conseguem transformar histórias estranhas em contos de fadas. Burton éespecialista nisso. Foi ele que construiu o frankestein moderno Edward Mãos de Tesoura, sensível como poucos humanos. E foi ele que contou A lenda do cavaleiro sem cabeça com genererosas doses de humor.

A técnica empregada em A noiva cadáver foi a tradicional stop motion, onde os personagens são bonecos de massinha, fotografados quadro a quadro. Na contramão da tendência atual no mercado de animação, que valoriza cada vez mais a simulação do 3-D, Tim Burton preferiu a sensação de realidade que só os cenários e figurinos de verdade proporcionam. Foi ele, aliás, que rascunhou a maioria dos bonecos do filme, desenvolvidos posteriormente pelo espanhol Carlos Grangel. Afinal, ninguém melhor que o próprio Burton para dar vida aos personagens estranhos que povoam sua mente criativa.

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