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quinta-feira, 26 de maio de 2011

A morte nunca foi tão viva

Fingindo de morto???
Casamentos arranjados normalmente são causa de profunda tristeza entre personagens de filmes. Logo, o inusitado amor à primeira vista entre Victor e Victoria (sim, até o nome combina!), em A noiva cadáver, não podia ser mais oportuno e inusitado. Entranto, como em filmes as coisas nunca são simples, fazer votos de casamento na era vitoriana era praticamente um monólogo. E Victor (Johnny Depp) é timido e apaixonado demais pela donzela (Emily Watson) para tal.

Após arruinar o ensaio do casamento, ele resolve ensaiar seus votos na floresta. E usa o que supunha ser um galho para particar a colocação do anel. É aí que o moço desposa sem querer a tal noiva cadáver (Helena Bohan Carter) e vai parar no mundo dos mortos. Pronto, confusão formada, pois a moça estava há tempos à espera de um noivo que a libertasse da condição de solteira. Depois de muita correria, leva a um clímax colorido e divertido quando os mundos se encontram. E a um desfecho inteligente, delicado e até poético!
Victor e Victoria - combinandinho...
No mundo dos vivos, tudo é cinza, monocromático, meio morto mesmo. Já do lado de lá da existência, tudo é cor e música, muito mais vivo que os colegas do andar de cima. Uma metáfora e tanto para as amarras impostas pela sociedade e, às vezes, por nós mesmos. A mensagem: a vida é curta, então curta!

Cheio de humor negro, no melhor estilo Burton, usa e abusa das piadas sobre as condições do pós-vida. Seja as piadas físicas, como esqueletos estilo "playmobil", ou em texto como seu falecido cão fingir de morto. Cortesia dos divertidos personagens do além, em especial o verme que vive na protagonista. 

Droga! Não e dessa vez que saio do caritó!!!
O elenco é, em sua maioria, composto por parceiros de Burton em outras produções, e atores bem conhecidos. É muito curioso reconhecer a atuação de Depp ou de Christopher Lee (que interpreta o padre) na tela. Ficamos tentando entender como aquele boneco fotografado centenas de vezes com uma pose milimetricamente alterada consegue se mover como determinado ator ou outro. Já é dificil acreditar que eles são caparzes de se mover com tanta fluidez. Resultado da caprichada animação em stop-motion (na minha opinião a mais dificil de produzir), que nos faz esquecer completamente que estamos olhando para objetos inanimados. 

Na versão original, a competente tradução das músicas alavaca a história e não deve desagradar nem o espectador mais avesso aos musicais. Eu adoro musicais, logo, o defeito para mim é que as músicas sejam tão poucas.

Você já deve ter percebido, sou suspeita para resenhar não apenas esse longa, mas qualquer produto da parceria Tim Burton e Johnny Depp (se tver Helena Bohan-Carter, então). Admito, o visual sombrio característo das produções do diretor, bem como os temas fantasiosos que ele aborda, estão entre meus favoritos.

Vai dizer que não somos adoráveis???
Felizmente, no caso de A noiva cadáver, minha adoração é mais que justificada. A história é inteligente, divertida e muito bem contada. Além dos fato de nos apresentar de forma nada asustadoras nossos divertidos e agradáveis colegas do outro lado!

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