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sábado, 7 de maio de 2011

Uma divertida experiência


Terror? Pois ver A noiva de Frankenstein foi uma experiência muito divertida pra mim. Pra começar, só eu acho muito doido a sequência contradizer o final do clássico original, trazendo o doutor e o monstro de volta à vida? É o equivalente a chamar os espectadores de, digamos, idiotas. Bom humor, a gente vê por aqui. Claro que nós sabemos que o autor, o criador da história, pode tudo. É como Deus. E aí não deixa de ser incrível essa total autorreferência, já que a moral da história de Frankenstein está justamente nessa questão, como a Mary Shelley (Elsa Lanchester) da ficção faz questão de frisar no início do filme. Diz aí, é ou não é coisa de gênio? Achei o máximo.

O resto do roteiro, confesso, achei rocambolesco até demais, mas isso até que deixa o resultado final mais saboroso. Sério, se tivermos boa vontade vamos achar graça da empregada da mansão dos Frankenstein (a cara da Zezé Macedo!), do encontro meio apressado do nosso monstrengo com um novo amigo e seu método de aprendizado Tabajara (fala sério que eles conseguiam se entender e as primeiras palavras que o ceguinho ensinou foram "drink" and "good"!) e do fato de a tal noiva do título não passar de uma figurante sem fala com um penteado horroroso!


E o fato de ser um filme de 1935 só aumenta o charme, né? Aquelas atuações afetadas, os sotaques forçados, a maquiagem, a iluminação... Pra falar a verdade, a realização me impressionou muito. Esperava uma qualidade técnica bem inferior, e olha que temos até uns tímidos efeitos especiais em jogo. Corajoso. Tá, eu senti falta de um pouco mais de consistência na trama. Afinal, de onde surgiu aquele sinistro doutor Pretorius? E como ele conseguiu criar aquelas enigmáticas criaturinhas (que ficaram mais cômicas que assustadoras)? E o ceguinho, coitado, simplesmente jogado para escanteio depois de ensinar umas míseras palavras-chave para o monstro? Tudo é resolvido apressadamente, como se o roteirista não soubesse bem como resolver os 70 minutos antes dos instantes finais. 

Mas tudo bem. Além da premissa metalinguística da qual eu falei lá no início, o longa de James Whale é uma boa desculpa para nos deliciarmos com a inusitada busca de Frankie por amor. Quem disse que tá faltando romantismo nesse mundo? Mas a dor dele é até mais profunda. Ele, que sempre foi rejeitado, só queria ser aceito, ter um igual. E é no último diálogo que isso fica bastante claro. No fundo, comovente. Talvez seja por isso que fiquei revoltada quando descobri que o desfecho do filme foi alterado, assim como o do original de 1931. Mania que essas pessoas têm de forçar um final feliz em tudo. Às vezes, uma tragediazinha faz bem. Principalmente se for só na ficção.

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