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sábado, 4 de junho de 2011

Essa família é muito unida...


Casamento grego tem tudo aquilo que garante o sucesso de uma comédia romântica: uma mocinha carismática, um mocinho interessante, situações divertidas e bons personagens secundários. No caso, a imensa família grega e barulhenta de Toula Portokalos, nas palavras da própria. E hilária, eu diria. Gente, o que são a impagável tia Voula (e sua total falta de noção) e o sr. Portokalos (e seu inseparável Windex)? Muita coisa ali é caricatura? É, tanto quanto uma novela da Globo com núcleo italiano, indiano ou muçulmano. Mas o fato de Nia Vardalos (protagonista e roteirista da história) ter mesmo ascendência grega lhe dá uma certa propriedade para falar do assunto. O estereótipo, nesse caso, é só uma desculpa para rir de si mesmo. Às vezes é bom não se levar tão a sério, não é?

A trama do patinho feio é batida? Sim, mas não dura tanto tempo assim para incomodar. A feiosa, desajeitada e desprovida de autoestima garçonete logo decide valorizar o visual, ao mesmo tempo em que toma coragem para controlar a própria vida. Notem que não foi preciso que ela se apaixonasse pra isso. Acho positivo isso. A mudança externa foi mesmo o efeito de um processo de autoconhecimento e amadurecimento, e não uma tentativa de conquistar alguém. Por outro lado, nunca saberemos se Ian Miller (o gato John Corbett) daria uma chance a Toula se ela continuasse uma baranga...


O encontro dos dois não poderia ser mais bonitinho. Não bastasse ser charmoso e inteligente, o professor é fofo até não poder mais ao entender todas as neuras da namorada e restrições da família. Imaginem vocês uma mulher de 30 anos que não pode contar para os pais que namora um não-grego? Gostei muito dessa versão mais light de amor impossível, sem todo o drama do estilo Romeu e Julieta, mas suficientemente complicada para garantir umas boas risadas até o fim do filme. Ou vai dizer que você também não se divertiu com as ótimas cenas do jantar em que os pais dos noivos se conhecem? De um lado, os sóbrios americanos que confundem gregos com guatemaltecos, e, de outro, os expansivos, dançantes e comilões Portokalos, que acham que a filha só será bem-sucedida quando casar e tiver filhos. Parecem mesmo incompatíveis. E são.

Por tudo isso, dá para entender a vontade súbita de Toula de fugir para Vegas, depois de tanta chantagem emocional do pai. E não dá para não achar a coisa mais linda do mundo Ian se batizar na Igreja Grega (numa piscininha de plástico!) só para não matar os futuros sogros de desgosto. É uma história fofa demais, com espaço para ótimas piadas, elenco afinadíssimo e roteiro enxutinho. E o fato de Nia Vardalos ser um rosto desconhecido e não seguir o modelo de beleza de Hollywood também ajudou muito, atrai pela novidade. Pena que a atriz teimou em se repetir nos filmes seguintes e não emplacou mais nenhum sucesso. Um raio não cai no mesmo lugar duas vezes.

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