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quarta-feira, 8 de junho de 2011

You can't always get what you want...

Vida de artista não é facil! Rusty Parker (Rita Rayworth) é prova viva disto. A moça canta, dança, tem um belo sorriso, a capacidade de trocar de figurino em segundos dividindo o camarim com outras sete moças e ainda sim só conseguiu trabalho em uma "espelunca" (no melhor sentido da palavra). Mas a vida não é tão ruim assim, ela tem um belo namorado, Danny (Gene Kelly) com quem divide o palco, e um fiel amigo, o divertido Genius (Phil Silvers). Juntos, dão força um ao outro na busca por uma vida melhor.

Em Cover gril, aspirantes a artistas em busca de uma vida melhor existem aos montes no Brooklyn. Logo, quando aparece um concurso para se tornar a garota da capa de uma famosa revista, a moçada se anima. Mesmo indo mal nos testes (como sempre, graças a uma "mui amiga"), a moça conseque e aceita o trabalho, apesar dos instintos de seu amigo Genius berrarem o contrário.

Se você tem um amigo chamado Genius, devia ouvi-lo. Ele tem esse nome por alguma razão! A ascensão meteórica pode ser muito perigosa. Centrada nos holofotes, logo a moça perde o rumo e as coisas que realmente importam.

Comédia romantica do estilo "o poder subiu a cabeça", já repetida à exaustão durante esses 70 anos. Embora, neste longa, a protagonista não pareça tão deslumbrada assim com a fama.O grande problema foi causado, na verdade, por uma péssima administração de agenda, somada aos ciúmes de Danny. Novos trabalhos trazem novos compromissos, leva um tempo para organizar-se novamente.


Rita Rayworth não me encantou, sua interpretação pareceu meio engessada pela responsabilidade de dar vida à garota da capa perfeita. Salvo a cena de embriaguez e a tentativa de explicar uma fuga de um  casamento, pérolas de um roteiro mediano. Mesmo sem muita quimica entre o casal, ver Kelly dançar já vale o ingresso. Seu amigo Genius parece uma versão piorada do Cosmo (Donald O'Connor) de Cantando na chuva. Os longas tem uma década de diferença, e ambos possuem Gene Kelly como mocinho. Impossível não imaginar: terá Genius sido um ensaio para Cosmo???

Falando em imaginar, diversas outras obras me vieram a mente enquanto assistia à Cover girl. De Marry Poppins (na sequência "Poor John") ao videoclipe de "Billie Jean" (no número das vitrines). Se referências reais, mera coincidência, ou meras viagens da minha mente, nunca irei descobrir. 


Um musical da Era de Ouro, com cenários e figurinos, impecavelmente coloridíssimos, além de belas e extensas coreografias produzidas com esmero. O único problema é a falta de objetivo de algumas músicas. Boa parte das apresentações em palcos não impulsionam a história. Estão lá apenas para lembrar que as personagens, são artistas, trabalhadores, e mais um longo dia de trabalho está em curso. Nesse caso, poderiam ser mais curtas para não congelar a narrativa e correr o risco de perder o interesse do espectador.

Talvez seja também culpa do exagero musical e coreográfico que o desfecho tenha recebido pouco tempo. Em menos de 10 minutos, as personagens resolvem o que não conseguiram nas duas horas anteriores. E, claro, terminam tudo dançando e cantando.

Esta é uma comédia romântica musical, logo você já deve suspeitar qual é o final, assim que olha a ilustração da capa. Mas tudo bem! Esse filme não é sobre grandes surpresas, mas sim sobre uma jornada de aprendizado. A lição? O grande filósofo Sir Mick Jagger já gritou aos quatro ventos no microfone: You can't always get what you want, but if you try sometimes, you just might find you get what you need!

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