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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Criando um épico!

Começando exatamente onde terminou a primeira parte, na melancólica perda de um adorável personagem, Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2, deixa o tom contemplativo do longa anterior de lado, para mergulhar na ação quase ininterrupta. E apesar de uma ou outra falha (se nem Dumblerore era perfeito, porque cobrar isso de um filme?) não decepciona ao encerrar, uma saga complexa e amada por fãs ao redor do mundo, e a franquia mais lucrativa dos cinemas.

Harry (Daniel Radcliffe) ainda precisa encontrar as ultimas horcruxes. Destruir esses obejtos, que contém partes da alma de Voldermort é o único caminho para derrotar o maior bruxo de todos os tempos. Logo no início, ao lado de Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) embarca em uma quase bem sucedida invasão ao Banco de Gringotes, até esse dia o lugar mais seguro do mundo. A excelente sequência incluindo um realístico dragão, nos deixa a pergunta: se o início é tão grandioso, será que o fim vai dar conta de superá-lo?

Sim, supera. Mas não apenas pela ação em si, mas pelas consequências dela. Depois de meses de contemplação entre uma floresta e outra, o jovem herói tem consciência do mundo a sua volta. Sabe que suas ações tem reações, e nem sempre boas. E embora seja aparentemente a única opção, a luta vai levar muitos de seus amigos. O longa não tem medo de mostrar a mantança, muito sangue e corpos espalhados por Hogwarst, e nos faz admirar que a censura seja apenas 12 anos. Embora, algumas mortes merecessem maior destaque, o impacto delas move as atitudes do protagonista.
Todos a batalha! (todos mesmo, clique para ampliar!)
Não demora muito e estamos de volta onde tudo começou. Não haveria mesmo, melhor lugar para encerrar a saga que Hogwarts. Antes colorida e lúdica, a escola agora um campo de concentração, e posteriormente uma enorme pilha de escombros. Lá alunos e professores esperançosos, logo põem suas varinhas a disposição das batalhas.

Droga! escolhemos o lado errado da guerra.
E assim, vemos as sequências mais deliciosas do filme, quando personagens como a Prof. McGonagal (Maggie Smith), e Neville (Matthew Lewis) finalmente ganham espaço para mostrar sua força. Já fragilidade dos Malfoy, apontada no longa anterior, aqui fica evidente pela abatida aparência de Lucius (Jason Isaacs), antes um pavão emplumado, agora constantemente acuado.

E por falar em força e fragilidade, Alan Rickman entrega de forma brilhante, o personagem mais complexo de toda a saga. Assistimos um Snape ameaçador e de ações objetivas. Mas, com expressões sutilmente ambíguas que lembram ao expectador/leitor seus verdadeiros motivos, e deixam aquele que acompanha apenas nas telas, confuso com relação ao caráter do, agora, diretor de Hogwarts.
Seria eu um agente duplo, duplo?
As pontas soltas ficam a cargo, do excesso de personagens para organizar. Questões como, onde Hagrid (Robbie Coltrane) estava, e como Luna (Evanna Lynch) chegou a Hogwarts antes de Harry. O final também deixa algumas importantes batalhas em segundo plano para se focar no embate entre Harry e você-sabe-quem, que apesar de visualmente espetacular, pareceu simples depois de tanta ação. Logo vemos a morte de Belatrix de forma rápida, e sem aviso prévio. Outra cena estilo "ué!agora?", é o supra-esperado beijo de Ron e Hermione, que acontece de repente entre uma correria e outra. Depois de 7 anos requentando uma relação, quem precisa de romance?

Sprout, Pompfrey, Slugorn e Filch (clique p/ ampliar)
Por incrível que pareça ainda conseguimos ver de relance antigos personagens (alguém aí lembrava da Prof. Sprout? Interpretada por Miriam Margolyes) e conhecer alguns novos. Além de rever Dumbledore (Michael Gambon), metafórica e literalmente sob uma nova luz. E perceber o crescimento dos personagens (e de seus intértpretes) que conhecemos ainda crianças. Seja com os protagonistas, que agregaram atitudes adultas as características que trazem da infância. Seja com alguns coadjuvantes, que finalmente aparecem.
  
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2, usa muita ação, suas consequencias (psicológicas e físicas) e traz de volta a maioria dos personagens do universo criado por Rowling, para uma despedida mais que satisfatória para a saga. Nada mal para uma história que começou como "O Senhor dos Anéis para crianças", e terminou não apenas como a maior franquia dos cinemas, mas como um das adaptações mais fiéis, respeitadas, e respeitosas, com seus fãs. Sozinhos os oito longas de Harry Potter, são apenas bons filmes, juntos são um marco do cinema construído ao longo de uma década.

Criar um épico é difícil, olha como estamos cansados!

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