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sábado, 24 de setembro de 2011

E não é que o remake é melhor?


Assistindo às duas versões de O jardim secreto para o cinema, dá para perceber umas ligeiras alterações na história aqui e ali. Como não li o livro, não posso dizer qual filme é mais fiel à história clássica de Frances Hodgson Burnett (embora eu não seja do time dos radicais, acho que fidelidade é fundamental numa adaptação, respeitando, claro, as diferenças entre literatura e cinema). Mas devo confessar que a primeira, embora tenha algumas qualidades, não me emocionou tanto quanto o remake.

No longa de 1949, o destaque vai para Margaret O'Brien como a mimada Mary. Depois de perder os pais, a garota de 10 anos deixa a Índia, onde morava, para viver no casarão de um tio na Inglaterra. O lugar, tão enorme quanto assustador, não é nem um pouco agradável até a inesperada descoberta de um jardim abandonado há dez anos. Com a ajuda de Dickon (Brian Roper), ela decide recuperar o lugar, que se tornaria um lugar de refúgio para a dupla. Ao mesmo tempo, Mary conhece e se aproxima cada vez mais do primo Colin (Dean Stockwell), que vive isolado em seu quarto por não poder andar. Além de não ter a atenção que gostaria do pai, vive chantageando e maltratando os empregados da casa. Tão arrogante quanto o menino, a prima é a única que tem coragem de enfrentá-lo e também a única a entender o que ele está sentindo. 

Os embates entre os dois são ótimos, principalmente por serem crianças gritando umas verdades que muitos adultos não teriam a capacidade de sussurrar. Mas o filme tem um tom bem sombrio que, no fim, não se sustenta. Como eu não conhecia a história, fiquei esperando bem mais do tal jardim e da morte misteriosa da mãe de Colin. E a solução para a trama do garoto, que passa a sair de casa com a ajuda dos amigos, é bastante apressada. O recurso da cor, utilizada apenas no jardim secreto dá um ar mágico à história, como o encantamento de Dorothy ao deduzir que ela e Totó não estão mais no Kansas em O mágico de Oz. Mas aqui não há uma longa estrada de tijolos amarelos a ser percorrida. Tudo se resolve rapidamente, como se não houvesse mais tempo para terminar de contar a história. Decepcionante.


Já na versão mais recente, é justamente a relação entre Mary (Kate Maberly) e Colin (Heydon Prowse) que nos cativa desde o primeiro momento, graças à fluidez do roteiro de Caroline Thompson e à sensibilidade da direção de Agnieszka Holland. O menino se sente tão órfão quanto ela, já que não tem a companhia e o carinho do pai. Mas agora Colin não é tão detestável e Mary, apesar do ar autoritário, é bem mais doce e compreensiva. E o tal jardim aqui representa a vida que ele não consegue ter devido à sua doença. O elenco infantil é novamente um acerto. É bem bonito acompanhar os dois e Dickon (Andrew Knott) - aqui num papel bem mais secundário que no original - tornando-se amigos. E é emocionante o reencontro, tão esperado e tão desejado, do sr. Craven com o filho. Como se vê, não basta ter uma boa história em mãos, é preciso saber contá-la.

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