3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A primeira mordida a gente não esquece!

Conde Orlok (Max Schreck) resolve se mudar e consegue, com a ajuda do agente imobiliário Thomas Hutter (Gustav von Wangenheim). Infelizmente o excêntrico, e visualmente esquisito, senhor é na verdade um vampiro que deseja se mudar em busca de novos pescoços. E o pobre Hutter só descobre o fato quando já é tarde demais para impedir a viagem. Por onde Orlok passa a contagem de cadáveres, com duas pequenas marcas no pescoço, é alta. Até chegar ao seu novo lar, uma cidadezinha que logo acredita estar sendo assolada por uma praga.

Como avaliar o filme que deu o ponta-pé inicial na trajetória vampiresca no cinema? E para complicar, o longa ainda é um dos maiores expoentes do Expressionismo Alemão. Seria redundante afirmar que seu jogo de luz e sombra, e vários outros detalhes sobre trajetórias vampirescas influenciaram várias obras que vieram a seguir. Então não vou mencionar isso (ops! já foi)

Nosferatu não é um filme fácil. Afinal é em preto e branco, mudo e tem o ritmo e estilo de sua época. Foi lançado em 1922. As aterrorizantes cenas do vampiro, que propositalmente aparece pouco, para aumentar a tensão, hoje não metem medo. Até nos fazem rir, (vide a forma estilosa que o conde tem de levantar de seu caixão, lembra um boneco de trem fantasma de parque de diversões itinerante, estes alais devem ter sido inspirados em Orlok) entretanto ainda carregam o suspense.

É o suspense bem construído, aliado a uma história tão boa que vale arriscar um processo, que o tornam um clássico. O ritmo é estranho, algumas cenas são muito longas, as atuação é exagerada, e se trata da história do vampiro mais famoso do mundo (as cartelas da cópia que vi, até tinha o nome Drácula ao invés de Orlok), logo você sabe o que está por vir. Ainda assim, se preocupa com os personagens, e fica tenso com o suspense, o clímax que nunca chega.

E apesar de ser baseado em Drácula de Bram Stoker, ainda guarda uma surpresa para o final. - SPOILER - A morte pelo sol, ao invés de pelas mãos de Van Helsing, foi mais uma estratégia "falida" para não sofrer um processo. Mas acabou criando uma das características mais interessantes da mitologia vampiresca. Além disso o fato de não haver uma grande luta, mas sim um grande sacrifício, tornam o climax do filme incomum. - FIM DO SPOILER.

Nosferatu, não é divertido ou imprevisível, mas é interessante. Qualidade difícil de preservar após quase 100 anos de existência. Obrigatório para todo cinéfilo!

0 comentários: