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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Elvis com "pegada latina"

Mike (Elvis Presley) é um ex-trapezista que abandonou a profissão após o acidente que matou seu irmão no picadeiro. Ele consegue um emprego como cantor/salva-vidas em um hotel de luxo. Lá, luta todo dia com o medo de altura causado pelo incidente no trapézio, basta dar uma olhada para o gigantesco trampolim da piscina. Ao mesmo tempo, disputa o espaço (e uma garota) com o salva-vidas oficial do hotel. Além de se envolver com outra moça, uma toureira famosa. E fazer várias audições para alavancar sua inesperada carreira em Acapulco, onde reside com visto de turista. Ufa!

Aparentemente O seresteiro de Acapulco sofre do mesmo mal de O barco do amor: falta de foco. Primeiro achamos que voltar para casa seria o problema, já que o norte-americano Mike se encontra sem dinheiro e desempregado no México.

Então acreditamos que vai haver rivalidade entre ele e o cantor oficial do hotel, mas esta acontece com o salva-vidas, uma vez que Mike teimou em ter dois empregos apenas para ficar perto do trampolim, em uma relação meio óbvia e mal explorada da relação entre a arte circense e o salto em altura. Por que, ao invés de dar ao personagem o medo causado pelo trauma, não lhe deram o ímpeto de tentar entender o que o irmão sentiu ou pensou em seus últimos minutos? Motivo mais interessante e arriscado para pular.


Mas não é só isso. Primeiro ele se interessa pela forte, feminista e caricata toureira, apenas para depois cair de amores pela doce funcionária do hotel (Ursula Andress, uma Bond Girl). Criando uma rixa entre as moças e reforçando a já bem construída imagem de astro sedutor. E, claro, ele soluciona todos esse impasses "num pulo", literalmente.

Para completar o uso excessivo do chroma key, já que o astro não foi a Acapulco para as filmagens, torna tudo um pouco mais falso. Especialmente porque o resto do elenco gravou alumas cenas in loco, criando uma discrepância logo notada pelos nossos treinados olhos do século XXI. Uma pena saber que o rei desperdiçava uma das partes divertidas de fazer cinema, conhecer locações.

Quem salva o filme, além do inegável carisma de Elvis, é o pequeno Raoul. O empresário mirim, com saída para todos os problemas, tino para os negócios, e muitos, muitos primos. Para ficar melhor só se ele cantasse. O que, é claro, ele faz ao lado do Rei. Fofura e charme em apenas uma cena. Não é à toa que o filme foi razoavelmente bem.


E por falar na cantoria, com uma música e alguns versos em castelhano, Elvis mostra a que o filme veio. Promover o astro, como sempre. Entre erros e acertos, ao final das contas, O seresteiro de Acapulco é apenas mais uma desculpa (como se precisasse) para ver Elvis cantar. Dessa vez com uma "pegada latina".

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