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sábado, 26 de novembro de 2011

Elvis, um latin lover?

 
Você pode até não gostar de O seresteiro de Acapulco, mas uma coisa é certa: desde o início, o filme avisa que vai ser um festival de clichês a respeito do México e o roteiro é só uma desculpa para um grande videoclipe latino de Elvis Presley. Mas se você entender que ele era um cantor que estrelava longas-metragens e não cobrar dele uma atuação convincente, até que o resultado é divertido. Seja pelas letras das músicas, forçosamente "adaptadas" à cultura local, pelo efeito risível do chroma key da época ou pelo nível de profundidade dos personagens, quase tão rasos quanto a piscina do resort onde se passa a história. Como diz a canção, Acapulco é lugar de diversão.

O grande achado do filme é o pequeno Raoul (Larry Domasin), autodenominado agente do recém-chegado  cantante americano. Carismático toda vida, ele ganha o espectador de cara com sua inocência e seu jeitinho malandro. Graças a ele, inclusive, que a gente consegue manter o interesse numa trama que demora demais a engatar e não tem a menor ideia de pra onde vai. Pensa comigo: o que um cara boa pinta e talentoso como Mike Windgren (Presley) vai fazer no México? A explicação (nada convincente, convenhamos) só vem bem mais tarde. Até lá, somos obrigados a acreditar que ele queria curtir praias, garotas e margaritas.
 
 
A coisa só fica mais interessante quando surge um triângulo amoroso entre ele, Marguerita (a linda Ursula Andress) e Dolores (Elza Cárdenas). A bem da verdade, o triângulo era mesmo um quadrilátero, se acrescentarmos à equação Moreno (Alejandro Rey), que poderia se tornar um bom antagonista, mas fica mal utilizado num papel de coadjuvante. A graça, portanto, é torcer pela loura ou pela morena. E não deixa de ser curioso como o longa endossa o comportamento mulherengo de Mike, que, em nenhum momento é obrigado a escolher uma ou outra. Tudo se resolve num passe de mágica e ele ainda sai como herói. Fui só eu que enxergou um pouco de machismo aí?

Engraçado notar também que "Bossa nova baby" é o único momento realmente Elvis Presley do filme, com direito a um número musical com o seu famoso jogo de pernas. Todas as outras canções tinham uma falsa "latinidade" (reforçada pelos infalíveis mariachis e seus sombreros) que não dá para entender. Ele não era uma atração interessante justamente porque vinha dos Estados Unidos? Como fazia sucesso imitando o que os nativos fazem bem melhor que ele? Inexplicável. O seresteiro de Acapulco é filme feito na medida para fisgar fãs de Elvis, e não pode ser levado a sério. Mas é daquelas bobagens totalmente inofensivas. Pegue sua tequila e faça boa viagem.

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