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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A difícil tarefa de ser a parte do meio!

A situação era preocupante, cerca de meia hora de créditos antes (isso se você teve a sorte de ver em DVD, pois no cinema foi um ano), deixamos Frodo e Sam a caminho de Mordor, sem guia e sem mapa. Merry e Pippin sequestrados por Uruk-hai, com Aragorn, Legolas e Gimli em seu encalço. Gandalf e Boromir? Mortos!

Começa aqui a injustiçada parte do meio de O Senhor dos Anéis, As Duas Torres. Sim injustiçada, pois apesar de ter muita ação e novos ótimos personagens, não tem o frescor do primeiro e a dramaticidade do último, o que faz muita gente o deixar meio de lado.

Cheio de reviravoltas, o filme mostra a sociedade em tarefas separadas. Frodo e Sam continuam sua longa, longa mesmo,  caminhada com um inesperado guia, que em algumas linhas deve ganhar um parágrafo só dele neste post. O elfo, o anão e o futuro rei recebem a tarefa de lutar ao lado dos homens, que vão medir forças com Saruman e sua verdadeira fábrica de criaturas horrendas de batalha. Enquanto Merry e Pipin conseguem aliados mais, digamos, ecológicos.

É nessas duas últimas frases que residem um dos pontos mais interessantes da trama. E embora o mérito seja de Tolkien, convenhamos não funcionaria se Jackson não soubesse transpor para as telas. Estou falando da oposição entre a indústria de batalha de Saruman e a força, literal, da natureza através dos Ents. Mensagem ecológica, criativa, eficiente e nada chata.
Manda ver, árvore!

Contudo, uma coisa chamou minha atenção. A certa altura Barbárvore esclarece aos hobbits: "Os Ents decidiram não se envolver, essa batalha não é nossa". Ei! Essa não é a justificativa número 1 daqueles que tem preguiça de cuidar do planeta? O que Tolkien queria que pensássemos a partir disto? Ainda pensando... A propósito, desde que atiraram maçãs em Doroty, árvores não me deixam tão animada como quando destruíram Isengard.

A edição estendida traz alguns detalhes interessantes e até cruciais que ficaram de fora da versão para a telona, como a idade de Aragorn (que é, muito,  abençoado com longevidade) e a origem do cavalo que o resgata do rio. E, atendendo às minhas preces, mais espaço para Faramir, que ameniza um pouco o absurdo de levar Sam e Frodo para Osgiliath, transformando o caçula do regente de Gondor em uma versão menor de Boromir.
Faramir não é Boromir!

Sim, Faramir ainda é menos nobre e mais parecido com Boromir do que me lembrava do romance, mas ao menos agora ele dá uma ajudinha. Também pode se dizer que a passagem ajudou Gollum, que estava perdendo a briga para Sméagol (sua personalidade original), a voltar com toda força e instabilidade que carrega.

Falando na personagem interpretada por Andy Serkis. Gollum não apenas recriou a perfeição a personalidade do ser corrompido pelo Anel, como redefiniu a referência de personagens digitais. Tudo bem, não houve tantos antes dele (pobre Jar Jar Binks), mas todos que vieram após tiveram o pequeno hobbit como referência. Oscar para Andy Serkis? Até concordaria, se houvesse uma concordância de que o trabalho não foi só dele, e o prêmio fosse entregue em conjunto para o pessoal do CGI. Afinal fizeram metade do trabalho.

Sou mais legal que Arwen, vou para a batalha!
E como nem só de impressionantes cenas de batalhas, avanços tecnológicos e mensagens ecológicas e edificantes vive um filme de fantasia atualmente, ainda tem romance sofrido, e amor platônico (Éwoyn, uma mulher enfim, já estava parecendo o clube do bolinha), o perfeitamente asqueroso Grima,  e humor, especialmente na disputa/contagem de corpos entre Legolas e Glimi, e na fome interminável de Merry e Pippin.

Dessa forma, As Duas Torres sobrevive bem à cruel tarefa de ser um filme, sem início ou fim. A injustiçada, embora extremamente competente, parte do meio.

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