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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A maneira correta de terminar um épico

Isso tá errado! Eu juro, O retorno do rei a que assisti nos cinemas não era esse. A versão estendida da terceira parte da trilogia do anel tem tantos detalhes extras aprimorando a narrativa espalhados por toda a projeção, que a certa altura percebemos que não somos capazes de distinguir exatamente o que é novidade e o que sempre esteve lá. O que prova que os 50 (!) minutos extras não são exagero de fã, na verdade eram necessários.

O filme leva todas as narrativas para seus atos finais, garantia de muita ação. Frodo, Sam e Gollum finalmente em Mordor. O último regente de Gondor enfrentando as consequências de sua loucura causada pelo poder. Um final para Saruman. Aragorn aceitando sua posição real. E Éowyn salvando a reputação feminina no longa (faz nada hein, Arwen, vergonha!). Tudo isso a base de muitas, muitas, enormes, gigantescas, megalomaníacas batalhas.

Quem mais se beneficia dos minutos extras em meio a tantas histórias? A família regente de Gondor. Trazendo de volta até Boromir (em forma de flashback) para explicar a complicada relação entre Denethor (o mais fraco dos homens, corrompido pelo anel apenas pela menção de sua existência) e seus filhos. Aqui peço desculpas a Peter Jackson, a culpa pela versão deturpada de Faramir na trilogia dos cinemas não era dele, mas da falta de tempo.

Finalmente fica explicado os destino de Éowyn. Acho que nem todo não iniciado iria entender apenas pelo fato dela estar parada ao lado de Faramir durante a cena da coroação de Aragorn. Nada mais justo que os dois se encontrem, ele depois de tanta injustiça sofrida pelo pai (e pela versão mais curta). Ela, por ser a única representante feminina na batalha, e ainda acabar com um vilão daqueles.

Falando na coroação de Aragorn, quando disse que ele aceitou sua sina por um bem maior, quis dizer que: houvesse outra maneira ele não o faria. Ao menos essa é a sensação que fica, seja pela expressão insegura ao receber a coroa. Seja pelo figurino de gola alta que parece sufocar o rei. um figurino ruim em meio a centenas, perdoável. Afinal é impossível acertar todas.


A cena descrita acima é um dos vários finais do longa. Único ponto fraco do longa. Mescla um pouco de enrolação melancólica, com aquela sensação de não querer acabar a história e  retornar a nossa realidade nem um pouco emocionante. As frases e expressões de efeito desse trechos também soam piegas, seja nos intermináveis discursos de encorajamento frente à batalha. Ou nas declarações de amizade de Gimli e Legolas, e claro Sam e Frodo, que infelizmente pedem para um piada preconceituosa quanto à sexualidade das personagens. Basta ter a mente aberta e seguirá em frente sem grande danos.  

Entretanto, nem todo trecho sentimental traz um discurso piegas. A explanação de Gandalf sobre o mundo que nos espera após partimos é tocante. Já a canção de Pippin para Denethor, intercalada com a última batalha de Faramir, deixa um nó na garganta toda vez que vemos. 

E por falar em Pippin, o pequeno hobbit encontra um artefato curioso que pouca gente presta atenção. Ou alguém mais reparou que a palantir era o meio de comunicação mais eficiente da Terra Média? O único problema era quem estava do outro lado da linha.
Who you gonna call??


Depois de não ser indicado ao Oscar por não aparecer em tela, Andy Serkis ganhou uma cena como Sméagol, sem efeitos especiais. O momento premiação havia passado, mas a passagem nos brinda com uma interessante sequência de transformação do hobbit na criatura Gollum.


Faltou apenas falar de Frodo, que não traz neste filme a atuação mais inspirada de Elijah Wood, mas ainda sim mostra com clareza o peso, figurativo e literal (veja as marcas no pescoço de Frodo), de seu fardo. Já a lealdade e força de Sam são perfeitamente inquestionáveis.

Além disso, a impecável direção de arte, maquiagem, os efeitos especiais que dão vida a olifantes, nazguls e, claro, Gollum, presentes nos filmes anteriores retorna com o mesmo esmero neste capítulo. Colocando na balança, é um ótimo filme, ou melhor "final de". Já que vejo a trilogia como uma única produção (que é), muito longa para ser exibida de uma só vez. 

Para ficar melhor só se quarteto hobbit precisasse reconquistar o condado, como no livro. Mas aí era pedir demais não?

2 comentários:

disse...

Qualquer corte num filme é uma afronta aos fãs, que sempre querem ver mais. Agora, um corte de 50 minutos de material que já foi exibido nos cinemas é desaforo demais, concordo com vocês!
Abraços e um feliz Natal!

Fabiane Bastos disse...

Obrigada pela visita Lê

Mas esclarecendo...

A versão oficial do filme tem 210 minutos, e foi a exibida nos cinemas de todo o mundo.

Os 50 minutos a que me refiro, são a parte extra da versão estendida. Que teve algumas sessões especiais na tela grande (aqui no Brasil foi em 1 fim de semana e apenas no Rio e em São Paulo) e recentemente foi lançada em DVD.

Tecnicamente, os 50 minutos não são um corte, mas um bônus para os fãs. Afinal não é todo mundo que aguenta ficar no cinema por mais de 4 horas seguidas nos dias de hj. Isso tornaria o longa múito difícil de ser comercializado.

Mas é muito bom saber sua opinião de fã!

Abçs e volte sempre!