3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Meio mudo, meio falado

Então O Cantor de Jazz ainda tem cartelas? É, foi mesmo ingenuidade minha achar que logo no primeiro filme o  som tomaria conta da projeção. O primeiro filme falado da história é na verdade cantado, uma  vez que a maioria dos diálogos é exibido ainda com as cartelas. Apenas as músicas interpretadas pelo protagonista e pouquíssimas falas saem das bocas de seus personagens. Entretanto, se colocando no lugar dos expectadores do cinema silencioso, a sincronia é espantosa!


O pequeno Jackie, é filho do cantor da Sinagoga, e desde criança está sendo treinado para ser a quinta geração da família a entoar os cantos no templo. Seu coração no entanto reside no jazz. Sonho que sua mãe (usando o penteado de coques antes mesmo da Princesa Leia sonhar viajar com ele em galáxias distantes) compreende, e ritmo que seu tradicional pai abomina. Por isso o rapaz foge de casa e faz seu nome como cantor de jazz, até que a tradição e a família o chamam de volta, deixando o rapaz divido.

O curioso é que pelas péssimas sinopses que li até hoje acreditava que o rapaz sofria preconceito por ser branco e tocar jazz. Por isso pintava o rosto de negro. Só assistindo fui descobrir que a pintura faz parte do show em que ele trabalha, e não tem absolutamente nada a ver com a desconfiança quanto a sua capacidade de cantar devido a cor da pele. Viu, tem que ver para entender.

Enquanto isso o pobre Jackie carrega o filme nas costas, com ou sem som. Carisma que só aumenta durante suas performances musicais. Não conhecemos as canções,  mas mesmo ouvindo pela primeira vez é difícil passar indiferente. Nos deixamos levar pelo ritmo.

A narrativa ainda não sabia muito bem o que fazer com o som. Ampliar o campo, criar ambientação, usar as músicas para impulsionar a história? Não. Até então havia se descoberto o potencial e as inúmeras possibilidades do áudio. Logo o filme se limita a usar o som para reforçar o que está sendo mostrado em tela. Basicamente que jazz é boa música e o o personagem ama fazê-la. E isso o faz muito bem!

Como pedir mais de um filme tão corajoso? Atualmente o Cantor de Jazz pode não ser brilhante como os grandes musicais da era de ouro. Em parte ainda é mudo. Mas sem ele provavelmente não ouviríamos o cinema, da forma que ouvimos nos dias de hoje. 

0 comentários: