Elvis dirigindo um carro de luxo ou pilotando uma moto na estrada, cabelos ao vento, entoando uma uma canção de refrão facilmente memorizável. A cena lhe parece um lugar comum? Pois O barco do amor não tem o menor pudor de ser um clichê - desde que Presley e seu indefectível topete estejam lá, representando um galã-cantor que vá atrair o público feminino. Se for um pobre menino rico que sofre por amor, então, o tiro é certeiro. Nada muito original, como se vê, mas o resultado é simpático e bem agradável para uma "Sessão da tarde".
Desde o início fica bem claro que o jovem milionário Scott (Elvis Presley) não liga muito para a fortuna do pai. Na primeira oportunidade que ele encontra de viver uma vida comum, sem ser julgado por sua conta bancária, ele troca de lugar com o atendente de posto de gasolina Tom Wilson (Will Hutchins) e se passa por um humilde instrutor de ski num hotel em Miami. Como num passe de mágica, a bela Dianne (Shelley Fabares) cruza (literalmente) seu caminho e o usa para fazer ciúmes no piloto bom partido J. J. Jamison (Bill Bixby). É um pulo para Scott se apaixonar e passar o filme todo com aquela cara de cachorrinho que caiu da mudança enquanto sua amada vive la vida loca com o ricaço.
Como só o tempo vai fazer a mocinha perceber que seu grande amor é o falso pobretão (ah, vai dizer que você não sabia!), os roteiristas criaram uma competição de barcos para dar aquela enrolada básica antes do final feliz e, quem sabe, garantir um pouco de emoção à história quando nosso herói entra na briga totalmente desacreditado, mas determinado a provar sua confiança. Aliás, esse deve ser o único motivo para justificar aquele constrangedor número musical com as crianças, que fica totalmente perdido na história, sem falar na desnecessária letra de auto-ajuda.
As canções se encaixam muito melhor nos momentos de romance entre Elvis, sedutor como de costume, e Shelley, incrivelmente fotogênica e carismática, que formam um casal interessante. Mas o que sustenta o filme mesmo são suas tiradas de humor, que garantem a leveza necessária à produção, em especial ao seu terço final. É divertido quando o pai de Scott descobre que seu filho havia trocado de identidade com outra pessoa, mas é mais legal ainda perceber que fomos poupados de um final meloso e desinteressante se a reação de Dianne ao saber toda a verdade não fosse tão graciosa. Não é ótimo saber que um filme chamado O barco do amor pode surpreender positivamente?
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