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sábado, 10 de março de 2012

1001 formas de brincar com uma Katana

Coisa curiosa ao rever Kill Bill esta semana. Fiquei novamente surpresa com a narrativa não-linear. É claro que eu lembrava da falta de ordem cronológica (aliás, como ter Tarantino sem ela?). Entretanto, de alguma forma, após ter a saga completa (volumes 1 e 2) em meu imaginário, meu cérebro organizou a narrativa. Dessa maneira, eu recordava a história, em que ponto o volume 1 terminava, e mesmo assim não conseguia prever os passos da Noiva que o diretor resolvera mostrar em seguida. Resultado? Me diverti tanto quanto da primeira vez.

Então, cronologicamente, a Noiva (Uma Thurman) resolve se aposentar de sua vida de assassina, o que não é bem aceito por seus colegas de profissão. Estes, a mando do incógnito chefe Bill (David Carradine), realizam um massacre no dia do casamento. Profissionais, eles não poupam ninguém, convidados, noivo, pastor, esposa do pastor, e claro, a Noiva, mesmo a moça estando grávida do chefe. Como nenhum trabalho é perfeito, e no mundo do cinema coisas absurdas são possíveis (e a gente gosta), a moça sobrevive. Passa quatro anos em coma e, quando finalmente desperta, já o faz "na ativa", matando o enfermeiro cafetão e seu estuprador. Isso com as pernas inúteis, imagina o que acontece quando a Noiva volta a andar por aí, graças unicamente a sua força de vontade, e com um objetivo? Ou melhor, uma lista de execução para seus fracassados executores e seu mandante.

Coleguinhas de trabalho
Sim, a sinopse é longa, afinal o volume 1 é apenas meio filme, cujo ponto forte não está nos diálogos tarantinescos, que tanto se idolatra em outras obras do diretor, mas na ação, na matança louca e desenfreada. Que, apesar de gigantesca e com armas exóticas (caixa de cereal, bola de ferro ou perna, mesa com pregos), e lâminas capazes de decepar ossos com um golpe, nunca parece repulsivamente violento. É violento sim, mas o sangue jorrando e o exagero dele, evocados de antigos filmes de samurais, deixa tudo meio caricato. São pessoas decepadas, mas achamos um barato olhar.

Definidas tramas e regras, é hora de brincar com a ordem da narrativa, alterada sem grandes motivos aparentes a não ser pelo fato de ser "uma coisa que Tarantino faria". É verdade, a luta para alcançar a primeira vítima da lista tem muito mais cara de clímax, mas nada impediria que ela fosse a segunda da lista.

Brincar também com técnicas de cinema. Afinal, mesmo muito bem coreografada, e executada, meia hora de luta contra os 88 loucos poderia ficar meio cansativa. Então a tela fica preto e branco, muda de cenário, ganha tomada em contraluz, e dos dividimos em apreciar a matança e pensar: quem apagou a luz e por quê? Não apenas nessa luta, mas ao longo do  filme vemos essas e outras "brincadeiras", telas cortadas, cartelas, tem de tudo um pouco.
Por esse ângulo não espetei ninguém ainda!
Tem ainda a divertida sequência de luta com a "dona de casa" (Vivica A. Fox), interrompida pela filha, já que, apesar de assassina, a Noiva tem coração e não pretendia traumatizar uma pequena. Não teve sucesso, verdade, mas abriu oportunidade para sequências.

A impecável animação para contar a origem de O-Ren Ishii (Lucy Liu, adoravelmente letal). Este sim muito violento e dramático, tem o estilo das animações nipônicas. Aliás, o Japão, os samurais e seus filmes são a referência principal, mas não única (encontre o Charlie Brown) do filme.


E, por último, mas de grande importância, a trilha sonora. Vibrante, histérica e até "engraçadinha" quando deve ser. Os closes nos olhos dos combatentes não teriam tanta graça sem aquela vinheta de seriado japonês. Ficamos até com vontade de contratar a animada banda do restaurante para a próxima festa!

O único grande ponto fraco, que já foi eliminado pelo advento do home-vídeo, é o fato de ser meia história. Não que deixe a irritante sensação de inacabado, mas sim a de quero mais. E considerando que apesar de ter feito tanta coisa, a Noiva não alcançou nem metade da lista, alguém duvida que Kill Bill - Vol 2 é ótimo?

P.S.: A katana do título é a arma dos samurais. O longo sabre (sem luz né!), é a arma que a Noiva empunha, para furar, cortar, decepar sempre com estilo e raramente se repetindo.

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