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sábado, 17 de março de 2012

F***!!!

Desculpe intitular a resenha de Cães de Aluguel de forma tão deselegante. Mas está é realmente a primeira coisa que me vem a mente ao pensar no primeiro longa de Tarantino. Não que o uso excessivo da palavra (que de acordo com St Google é repetida 272 vezes), seja um demérito, está mais para um estilo. Embora eu não consiga evitar o pensamento da falta de variação no vocabulário baixo é sinal de que todos os Cães são oriundos da mesma região do país.

Palavrório à parte, é dificil revelar um pouco mais do longa sem arruinar algumas surpresas. Vou então me limitar a dizer que é um filme sobre consequências. Consequências de um assalto mal sucedido e os eventos que causaram sua falha. 

Mr. White (Harvey Keitel), Mr. Orange (Tim Roth), Mr. Pink (Steve Buscemi), Mr. Blonde (Michael Madsen), Mr Brown (Tarantino) e Mr Blue ( Edward Bunker), usam cores ao invés de nomes, pois é mais seguro ao executar esse tipo de trabalho em grupo. Mesmo assim, tudo dá errado, nasce a suspeita de um traidor entre eles, o que resulta em um monte de bandidos armados que não se conhecem e muito menos confiam um no outro, executando uma longa DR. E um desfecho do tipo "não sabe brincar? não desce pro play!"

A primeira vista uma história simples, o segredo está na forma de conta-lá. Tarantino bagunça a narrativa, apresenta os eventos fora de ordem, apresenta diversos pontos de vista, mantendo até o último minuto a dúvida sobre o que realmente aconteceu. Trazendo à verdade a tona um pouco antes do impactante (embora previsível) desfecho. 

E antes que me crucifiquem por dizer que o final é previsível, já vou defendendo meu ponto de vista. Esta foi a primeira vez que assisti Cães de Aluguel, e sim, eu realmente previ o final. Não porque era absurdamente óbvio, mas porque o vi agora em 2012, vinte anos e muitas adaptações e referências depois. Além claro de assistir a outros trabalhos de do diretor, que tem uma forma de fazer cinema própria, que inclui muito da sua forma de pensar em suas obras. Ou seja para quem estava lá em 1992, não só o desfecho, mas todo o longa,  era uma chocante novidade. Para nós aqui em 2012, é o registro do início de um estilo que já conhecemos bem.

E por falar em estilo, falta de ordem, vocabulário baixo, violência, humor e sangue, muito sangue. Tarantino básico!

Os diálogos, em geral surtados, são incríveis pela naturalidade com que são apresentados. E mesmo quando  aparecem um pouco fora de contexto tem sua função. Porque bandidos estão discutindo sobre um seriado de TV? Oras, porque eles vêem TV, são pessoas comuns que executam atividades comuns como ver televisão e papear sobre os programas no "serviço". Tão normal quando garçonetes conversando sobre a novela enquanto contam as gorjetas. 

Somando tudo o longa apresenta história sobre histórias, as formas de contá-las, suas várias versões e pontos de vista. Assim como na longa discussão sobre o sentido da música Like a Virgin de Madona, que inicia o longa, o sentido muda de acordo com quem está contando ou ouvindo a história.

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