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terça-feira, 1 de maio de 2012

Sensível, do início ao fim

O Vagabundo (Chaplin) e o Garoto (Jackie Coogan): amor é isso.
O garoto (The kid, 1929) não é um filme para corações duros. É para aqueles que tem coração mole deito manteiga derretida. A história é simples: uma jovem moça não tem como cuidar do seu bebê e resolve dá-lo à uma família com posses; porém quis o destino que o carro onde ela deixou a criança fosse roubado. Os ladrões de desfizeram da criança, e esta foi encontrada por um vagabundo (Chaplin). Não conseguindo ele também se desfazer do bebê, resolveu então cuidar dele. Após alguns anos, a moça se torna uma mulher rica, e pra sempre sentiria falta do seu bebê. Pra compensar, ela faz caridade e ajuda mães pobres e dá brinquedos pras crianças que encontra na rua. Um dia, ela percebe que seu bebê poderia ser uma daquelas crianças que ela ajudou, e oferece uma boa recompensa. Ela finalmente encontra a criança, mesmo que esta tenha sido arrancada dos braços do vagabundo que o criou - e que ele aprendeu a chamar de pai. Sabendo o quanto seria triste perder pra sempre um filho, a mulher manda encontrar o tal vagabundo e lhe oferece uma casa e a chance de ficar perto do garoto. 

Resumi bem rapidamente o filme, mas ele é bem mais que isso. É comovente, é tocante, é divertido. Dá pena da mãe, tão jovem, se arrepender da decisão tomada num momento de desespero. Dá pena ver a dor do Vagabundo quando ele perde seu filho. É engraçado ver as cenas de briga no estilo pastelão (as que acontecem no mundo dos sonhos, com todos vestidos de anjo e os diabinhos incitando às maledicências é hilária), engraçadíssimo acompanhar o menino já crescido e sua relação com o pai (por quê não chamá-lo assim, não é?).  Chaplin é um gênio: faz a platéia rir e se emocionar. O filme é uma ode ao amor. É como se dissesse 'ei, não importa o quão difícil é a sua vida - o que importa é o amor que você tem e o que você dá". Um vagabundo, que mal tinha condições de se sustentar, decide acolher o menino que acabara de encontrar e depois surta pela possibilidade de nunca mais poder vê-lo; a jovem mãe, querendo um futuro bom pro filho, o abandona à porta de uma família rica, mas se arrepende de seu ato desesperado e compensa a dor ajudando crianças desconhecidas; o pequeno garoto, apesar de não ter nada especial em casa, é tão amado que não se importa com a pobreza e as dificuldades que encontram pra sobreviver. Me vieram lágrimas aos olhos quando vi a cena em que o pequeno Jackie Coogan, que interpreta o garoto do título, chora chamando 'papai' enquanto o responsável pelo orfanato tenta levá-lo para longe de seu pai. 

A mamadeira e o berço improvisados pro recém-chegado

Eu disse, lá no início, que o filme é para os de coração mole. E repito, é mesmo. Quem tem o coração duro, não vai conseguir ver a metade da beleza desse filme. E, assim como a maioria dos sentimentos bonitos, a gente nunca consegue explicar direito o que sente, eu não consigo explicar o filme. Tem que ver, e deixar o coração aberto pra se emocionar com ele. Garanto que não há como se arrepender.

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