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sábado, 9 de junho de 2012

Suspense que não ofende a inteligência do espectador


Eu confesso. Gostei de A maldição do espelho. Digo isso porque minha primeira experiência no universo agathachristieriano não foi das melhores. Há alguns anos resolvi ler "Assassinato no Expresso do Oriente" e me senti feita de idiota (mas isso é assunto para o próximo post...). Já neste longa, pude conhecer a simpática Miss Marple, que parece ser uma companhia adorável para os leitores de Christie, e tive a impressão de que toda a reviravolta na trama é bastante sincera. Talvez, no livro, a história tenha sido um pouco diferente, mas no longa de Guy Hamilton, o mistério fica no ar durante boa parte da projeção, mantendo o interesse da plateia, mas o desfecho não ofende nossa inteligência.

Desde o início da história, fica claro que o misterioso assassinato de Heather Badcock não tem uma solução simples. A simples reconstrução da história é complicada: as testemunhas precisam buscar elementos no fundo da memória, em busca de detalhes que podem ser fundamentais para a investigação. E esse processo é falho, assim como a própria memória humana, seja por distração, questões emocionais ou, simplesmente, dissimulação. Portanto, os flashbacks, aparentemente repetitivos (embora sejam cada vez mais reveladores), conseguem se justificar. A fã tagarela teria simplesmente aborrecido a grande estrela Marina Gregg (Elizabeth Taylor)? Seria Lola Brewster (Kim Novak) tão fria a ponto de inventar uma entrada triunfal enquanto tentava matar a rival em sua própria festa?

Como em toda boa história de suspense, há vários suspeitos para o crime, cada qual com seus motivos. Mas sempre paira no ar a fatídica sensação de que há algo mal contado nessa história. Pelos próprios personagens, que fique claro. E aí, é só juntar as peças, mas talvez você não tenha tanto conhecimento quanto Miss Marple (quem tem, aliás?). Uma pena esse ter sido o único filme em que Angela Lansbury interpreta a famosa detetive! Gostaria muito de ver outras aventuras dessa senhorinha.

E o elenco foi mesmo acertadíssimo. Liz está perfeita como a atriz que tanto pode ser uma coitadinha ou uma cobra peçonhenta. Kim Novak irrita cada vez que aparece em cena, sinal de que achou o tom exato da personagem. Rock Hudson, mesmo grisalho, mantém a pose de galã e convence como o marido apaixonado que faz tudo pela esposa. Geraldine Chaplin, que conheci no mês Chaplin aqui no blog, é mesmo uma intérprete impressionante. Quem merecia mais espaço nesse elenco estelar (surpreendente para uma produção modesta como essa, que, em muitos momentos, lembra um telefilme) é Tony Curtis. Martin N. Fenn não é mais do que um coadjuvante de luxo. Pouco, muito pouco para um intérprete como ele.

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