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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

À beira do colapso

Kerr e Lancaster: na cena de beijo mais ousada do cinema - pra época, lógico

A um passo da eternidade (From here to eternity, 1953) é um filme que, além de clássico, é pertinente. Que pessoa nunca esperou encontrar um grande amor na vida? Quem nunca fez nada contra a vontade? Quem nunca se arrependeu de coisas que já fez, por acidentes que causou? São questões que perseguem o homem há tempos, e não vão desaparecer tão cedo. Enquanto o homem for capaz de cometer erros, então aqui estaremos nos perguntando sempre.

Numa momento histórico conturbado, pensar na eminência de guerra num paraíso como o Havaí chega a ser um pecado. Os jovens soldados querem mais é saber de farra. Menos Prewitt (Montgomery Cliff), que parece querer se isolar do mundo. Seu amigo, Angelo Maggio (Frank Sinatra, muito bom) é quem se empenha em levá-lo para a farra - afinal ainda são jovens, e devem se divertir. No clube, Pruett logo se sente atraído por Lorene (Donna Reed), a mais bela moça que trabalha no local. Cupido apronta em qualquer lugar, não é? Após algumas conversas e uma ceninha de ciúmes, Lorene (que, na verdade se chama Alma) acaba se deixando seduzir pelo jovem e belo soldado. Começa ali uma relação delicada, onde um precisa do outro pra conseguir sobreviver à dureza de sua rotina. Ele, perseguido em seu batalhão por se recusar a lutar, come o pão que o diabo amassou nas mãos do capitão que o quer forçar a aceitar lutar pelo título do campeonato de boxe. Ela, bom... Ela não era garçonete no clube. E isso já quer dizer muita coisa.

Frank Sinatra em cena é ótimo: engraçado, convincente, comovente.

Outra história de amor contada no filme, fala da paixão fulminante e proibida do sargento Warren (Burt Lancaster, um pitel) e a esposa do capitão, Karen (Deborah Kerr, bem sem graça). Vivendo um casamento de fachada, ela encontra alívio e carinho nos braços do sargento apaixonado. Mas tudo tem que ser feito às escondidas, pois ninguém pode saber do romance ou ambos estarão seriamente encrencados. Mas vivendo numa ilha, como não ser visto pelas centenas de soldados, fardados ou não, que estão sob o comando do marido? Encontros frustrados em bares mais distantes e praias desertas. Sim, são estes os protagonistas da (talvez) mais famosa cena de beijo do cinema. Famosa por ser ousada, mas não dura mais que 10 segundos... Acho que a comoção toda é porque os atores estavam em trajes de banho. Muita pele em contato para a época. Bom, continuando. O amor nasce e floresce entre os dois, mas está fadado à morte prematura: ela não pode se divorciar do marido, ele não quer se tornar oficial e voltar para o continente tendo que trabalhar numa posição em que não gostaria. Mas nada disso seria realmente preocupante se eles soubessem o que estava por vir...


Reed: não deve ser nada fácil encontrar e perder seu grande amor num paraíso como o Havaí...

Após a morte do amigo Maggio, Prewitt se vê na obrigação de vingá-lo. E acaba por matar o homem que torturou seu amigo na cadeia. Após cometer o crime, se refugia na casa da amada, desertando. No dia seguinte, a base americana de Pearl Harbor é atacada pelos japoneses. Todos do batalhão são pegos de surpresa, a população da ilha também. Não haviam mais heróis ou bandidos, amores perdidos ou encontrados, vinganças, prêmios, saída: a guerra tinha chegado, destruindo navios, aviões, pessoas. Maggio morre, Prewitt morre, soldados anônimos morrem, esperanças morrem. Não há como sobreviver no paraíso à sombra de uma guerra. A cena final, das divas deixando a ilha paradisíaca onde encontraram o amor é bem descritiva sobre o tema: não importa onde esteja, nem quem você é, nem o que você faz. A oportunidade vai bater na sua porta uma vez, não deixe de aproveitá-la. Os outros vão querer te dobrar à vontade deles, cabe a você não ceder. Não importa o qual calmo e preparado você está, o caos pode se abater sobre suas cabeças a qualquer instante. Reflexões para toda a vida, que fazem esse filme ser uma pérola cinematográfica: um filme de amor e guerra, de esperança e tragédia. Tão profundo, mesmo sendo um entretenimento. Tão humano e próximo de qualquer um, independente de nacionalidade.

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