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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Aprendendo a gostar do Batman!

Confesso, Batman nunca foi meu herói favorito. Não que eu não goste do Homem-Morcego, mas não carrego aquela enorme simpatia que as pessoas atribuem ao fato de ele ser apenas um cara comum com uma bat-carteira. Talvez porque a enorme conta bancária já o afaste bastante de nós, pobres mortais. Talvez pelo fato de ele ser muito mais inteligente e habilidoso que a média. Mas, com certeza, pelo fato de, apesar de ser um gênio, playboy, milionário, filantropo e símbolo de uma nação, ele parece não se divertir nem um pouco com sua condição. Sempre pesaroso pelas grandes responsabilidades, embora não tenha grandes poderes (isso depende do ponto de vista). E a franquia de Nolan, centrada do realismo, apenas reforça essa sensação, mas nem de longe isso é uma coisa ruim.

Logo no início do filme, antes mesmo de retornarmos a Gotham, somos apresentados a Bane (Tom Hardy), enorme, com um plano mirabolante (revelado aos poucos), e uma incrível capacidade de inspirar seguidores. Enquanto Gothan aproveita um tempo de criminalidade quase zero, inspirada pela morte de Harvey Dent, transformado em mártir no filme anterior, após ter ocultada sua identidade "do mal", e sua morte atribuída ao Batman. O protagonista (Christian Bale), por sua vez, tem sua identidade heróica caçada e devidamente aposentada, enquanto sua identidade milionária vive reclusa. Até Bane desequilibrar a balança.

Difícil falar mais do enredo sem revelar spoilers, logo vou parar por aqui. Mas não antes de mencionar os novos personagens. A magnata filantropa Miranda Tate (Marion Cotillard), que custa a dizer a que veio. A ladra Selina Kyle (Anne Hathaway), presente mais pela memória afetiva que pela utilidade na trama. O que ela faz qualquer personagem poderia fazer. Por que não aproveitar para trazer ao público uma versão inédita, e muito boa, de um dos personagens mais queridos de Gotham? Além do fato de Hathaway ser sempre eficiente. E o policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt), ótimo personagem (mas ótimo mesmo!) que cresce ao ponto de carregar o filme por alguns instantes.


Sim, outras pessoas podem carregar o filme por alguns instantes, pois por mais que seja um filme do Batman também é um filme sobre Gotham. A cidade que atrai vilões como um imã é, afinal, o motivo de  Batman existir, não? E Nolan consegue criar um clima de tensão, não apenas pelos personagens principais, mas por toda Gotham e seus moradores anônimos. Levando a "luta entre o bem e o mal" a uma amplitude digna de um grande final.

Grande final, pois apesar de o filme funcionar sozinho, seria um desperdício separá-lo da trilogia. Mesmo episódica, e com vilões diferentes, o universo criado por Nolan conta uma única história. E as referências a Batman Begins e Batman - O Cavaleiro das Trevas estão por toda parte e tem sua importância para compreender aquele mundo e as atitudes daqueles que o habitam.

Atitudes como as de Alfred (Michael Caine), a grande figura paterna responsável por boa parte da carga dramática do longa. Já que é a principal referência  do Homem-Morcego, mesmo aparecendo pouco e longe da "ação" sua presença é vital para o Batman ser "o Batman". Além das escolhas do Comissário Gordon (Gary Oldman), obrigado a tomar decisões por um bem maior e lidar com as consequências sociais e morais delas. E ainda serve de ponto de ligação para a trama, que une os três filmes.


Só falta mesmo é um pouco mais de espaço para tantos personagens. E algumas explicações lógicas do tipo: "como fulano chegou ali tão rápido e sem meios?" ou "como entrou em um lugar que ninguém mais consegue?". Nada que nossa imaginação não preencha rápido, ou que a suspensão da realidade em que estamos imersos (por mais realista que seja, ainda tem um cara desfilando de capa por aí), não nos ajude a ignorar.

Falhas pequenas, para um filme que tem muitos mais acertos, que erros. Amarra as pontas soltas de uma saga que começou a ser contada em 2005. Termina a história sem deixar a sensação de que algo ficou por explicar, e sem eliminar a possibilidade de ampliar o universo (desde que bem feito). Tem ainda um final com  várias interpretações. E até me fez simpatizar um pouco mais com o atormentado  gênio, playboy, milionário, filantropo.

Depois de tudo isso quem aí ainda acha que filmes de super-heróis são historinhas escapistas e fantasiosas para crianças?

*Publicado originalmente no Ah! E por falar nisso

2 comentários:

Alysson Mello disse...

Muito boa a sua critica e concordo com vc que nesse filme os pontos foram ligados e que nesse filme tem mais acertos do que erros e fechou a trilogia com chave de ouro.

Fabiane Bastos disse...

Obrigada, e volte sempre!