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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Uma história de amor diferente, divertida e surreal

Tom e Cecília, na cena do beijo: 'não vai ter fade out?'
Que atire a primeira pedra aquele que nunca se apaixonou perdidamente por um personagem de filme! Se eu tiver que listá-los aqui... Rende um post só disso. Essa é a sacada genial do diretor Woody Allen: ele pega uma situação absolutamente comum (e ridícula, convenhamos), a que qualquer mortal está sujeito a passar e pensa: 'e se acontecesse mesmo?'. Então ele nos presenteia com a história de Cecília (Mia Farrow, extremamente delicada em sua composição da frágil personagem), uma garçonete casada com Monk (Danny Aielo, perfeito) um homem rude e que só quer saber de ter uma mulher em casa para lhe dar comida quando ele termina de perder todo seu pouquíssimo dinheiro em jogos e apostas. Romântica ao extremo, seu refúgio são os filmes que ela vai assistir toda semana no cinema. E sua vida vira de ponta cabeça quando estréia 'A rosa púrpura do Cairo'. Fascinada com o filme, ela vai repetidas vezes até o cinema para ver o mesmo filme. Está apaixonada pelo personagem Tom Baxter (Jeff Daniels), um explorador que está buscando essa flor tão rara e que simboliza o amor do faraó por sua rainha. O inusitado acontece na quinta vez em que ela vai ao cinema.


No meio de uma fala, Tom Baxter vira-se para a platéia e começa a falar diretamente com Cecília. E mais que isso: ele resolve sair da tela e vir para o mundo real. Está completamente apaixonado pela moça que tantas vezes foi vê-lo, está cansado de falar as mesmas falas sempre, quer saber como é a vida de verdade. Começa a loucura. Ele foge correndo da sala com Cecília enquanto os outros atores em cena ficam indignados, sem saber o que fazer. Os produtores são chamados para dar conta do rebuliço, o ator Gil Shepherd (Jeff Daniels) se vê obrigado a corre atrás de seu personagem antes que sua carreira em ascensão se torne um desastre, outros personagens Tom Baxter em outras películas também estão querendo ver a vida do lado de fora da telona. Enquanto isso, os dois vão viver dias de aventura e romance como somente os filmes são capazes de produzir. Porém, essa situação não pode se prolongar... E é quando Cecília tem que decidir se fica com a realidade ou se vai viver de sonhos.

Cinema em polvorosa: o que fazer quando um de seus personagens resolve fugir  do filme?


A rosa púrpura do Cairo (The purple of Cairo, 1985) é um filme divertido e melancólico ao mesmo tempo. São hilárias as cenas em que um embasbacado e apaixonado Tom Baxter descobre o mundo. Quando ele espera o fade out para poder fazer amor com sua amada, ou quando ele tenta dirigir o carro somente por sentar-se no banco do motorista... É pra rir com gosto! Mia Farrow é muito feliz na construção de sua Cecília: frágil, sonhadora, delicada, apaixonante. A perfeita mocinha romântica. O restante do elenco do filme preso no cenário também rende boas risadas. A crítica sutil aos grandes egos está ali, nas piadinhas mordazes sobre 'como acabamos presos aqui por causa de um personagem secundário?'. Genial. Danny Aielo está ótimo como o marido acomodado e violento, e Jeff Daniels fez um bom trabalho num trabalho duplo: a ingenuidade de Tom e a cafajestagem de Gil são bem defendidas por ele. Algumas das melhores cenas dele, apesar de eu achar que as melhores tiradas são da empregada Delilah (Annie Joe Edwards) e da condessa (Zoe Caldwell). A melancolia vem exatamente com o fim do filme - a volta à realidade. Talvez se o filme estivesse só ali, na decepção da Cecília ao descobrir que foi abandonada por Gil, o filme não fosse tão triste. Mas quando ela decidiu ir ao cinema de novo e se encantou novamente com Fred Astaire dançando elegantemente na telona, e conseguimos ler na expressão do rosto dela que ela encontrou um novo 'amor', isso me deixou meio mal. Não sei explicar porquê, mas ficou um gosto amargo ao ver que ela ia voltar a sofrer tudo de novo: o marido que a maltrata, para o desemprego e a Depressão e, ainda assim, ela se apaixonaria de novo por um outro personagem fictício e sofreria de novo após o filme sair de cartaz.  Mas nem por isso o filme perde seu mérito, muito pelo contrário: só mostra o quão bom Allen é ao retratar coisinhas cotidianas e tirar delas ensinamentos, ridículos e esperanças que sempre nos rodeiam.

P.s.: é com muita honra que termino esse post, o nosso milésimo postado. Agradeço às amigas blogueiras, Giselle e Fabiane, por terem me incluído na trupe, e a você leitor, que tem nos prestigiado nesses 3 anos de vida do Dvd, sofá e pipoca.

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