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sábado, 8 de setembro de 2012

É por isso que amamos o cinema!

Não só o cinema, mas qualquer forma existente de contar histórias que nos faça viajar. Abandonar o mundo real e viver, mesmo que por poucas horas, grandes aventuras, romances tórridos e mistérios insolúveis. Válvula de escape de muita gente como Cecília (Mia Farrow, adoravelmente frágil).

Vivendo uma das piores fases do século XX, a depressão após a queda da bolsa de valores de 1929, a moça está presa a um marido, que finge procurar emprego. Interessado apenas em jogos de azar o mau-caráter (Danny Aielo), ainda bate na esposa e torra o pouco que ela consegue em seu emprego como garçonete. Trabalho no qual a moça não tem muito futuro. Os únicos momentos agradáveis na vida de Cecília eram aqueles em que ela ai ao cinema, e se admirava com as vidas dos personagens.

Após um dia extremamente ruim, Cecília foge para o cinema. Em uma época pré-blockbusters era possível pagar um ingresso e simplesmente ficar na sala, o dia inteiro, assistindo o filme repetidamente. E foi o que ela fez. Qual não foi a surpresa quando lá pela quinta sessão o heroico Tom Baxter (Jeff Daniels, perfeito mocinho de filmes de outrora), percebe sua constante presença, resolve sair da tela para conhecer tão ardorosa fã.

Vai dizer que você cinéfilo ou não, nunca sonhou com isso? Conhecer seu personagem favorito, que abandonou, seu filme, livro ou novela só para ter o prazer de te conhecer. O fato de o mocinho ser bem apessoado e se apaixonar perdidamente por você é só um bônus.

Logo Cecília que se sentia solitária, encontra não uma, mas duas pessoas que dizem amá-la. Já que o acontecimento sem precedentes de um personagem deixar a tela causa comoção na indústria cinematográfica, ao ponto de o intérprete de Tom, Gil Shepherd (também, Jeff Daniels), aparecer na cidadezinha de Cecília.

Aliáis, diversão à parte, é observar os personagens à espera do coadjuvante para terminar o filme. O tal coadjuvante descobrindo o mundo real (onde depois do beijo não há o fade-out para levar o casal para um local reservado onde podem namorar, sem 300 expectadores assistindo). E o mundo real tentando entender, e resolver, essa balbúrdia.

De volta a Cecília, seu dilema impossível é na verdade para lá de real. Ok, personagens não saltam da tela, mas sim, a vida é quase sempre horrível. Quem nunca desejou deixar tudo de lado, e viver com a cabeça na ficção.  Aliais o advento da internet criou ainda mais uma forma de escapar da realidade, a vida virtual.

Woody Allen apresenta não apenas bem, mas de forma delicada, doce e melancólica, os dilemas simples do dia-a-dia. Tão real agora, quanto em 1985, e provavelmente na década de 1930. A vida na maioria das vezes não é como desejamos, e a ficção é infinitamente melhor e mais empolgantes.

É claro que cedo ou tarde aparece aquele sentimento de culpa por preferir um mundo imaginário ao nosso. Então voltamos ao mundo real apenas para descobrir que ele ainda é o mesmo. Cheio de decepções e problemas. Mas, talvez, a gente esteja diferente.Mudando um pouquinho a cada filme, descobrindo novas formas e reforçando antigas de tornar a cruel realidade mais suportável. Mesmo que seja apenas escapando por duas horas em uma sala de cinema, só para ver Fred Astaire dançando no paraíso.


2 comentários:

Hugo disse...

Belíssimo filme de Woody Allen, uma grande homenagem ao cinema.

Até mais

Fabiane Bastos disse...

Né! Adoro filmes que falam sobre cinema.

Obrigada pela visita!