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sábado, 6 de outubro de 2012

Fanfarronice medieval

Um épico contado de forma rápida e superficial

Os Cavaleiros da Távola Redonda (The Knights of the Round Table, 1953) é aquele típico filme clássico hollywoodiano que mais parece uma produção da Brodway: cenários grandiosos, figurinos luxuosos, atuações afetadas e teatrais e pouca verossimilhança com a realidade. Ok, talvez eu esteja muito mal acostumada a filmes de capa-e-espada com sangue borrifando para todo o lado ou Peter Jackson tenha produzido cenas de batalhas grandiosas demais para se esquecer. Mas mesmo assim, não era possível segurar o riso quando os duelos entre os cavaleiros começavam. Pareciam crianças brincando de lutar, com medo de machucar o coleguinha.

Guinevere e Lancelot: ele, galante; ela, elegante
A história é contada superficialmente: Arthur (Mel Ferrer, estático) é o homem que retirou Excalibur da pedra, portanto, o rei por direito da Inglaterra. Lancelot (Robert Taylor, galante) é o mais bravo e temeroso cavaleiro, e jura lealdade a Arthur. Após (no filme, nem um pouco) sangrentas batalhas, o reino é unificado e trazido à paz. Os Cavaleiros se reúnem à távola redonda (que era assim para que todos tivessem o mesmo valor, sem prioridades) e juram lealdade ao rei. Para Lancelot, a tarefa será mais difícil do que ele imaginava. A recém coroada rainha Guinevere (Ava Garder, linda and she knows it) foi a linda donzela que ele libertou do cativeiro e por quem se apaixonou. Por sua honra e pela amizade com o rei, Lancelot lutou bravamente contra seus sentimentos e aceitou o pedido da rainha para desposar a jovem Elaine (Maureen Swanson, sonhadora). O conselho para tal saída veio de Merlin (Felix Aylmer, que parecia menos mago do que deveria), após ouvir os cochichos e planos sombrios sussurrados pelo castelo. E, mais tarde, ele pagou com sua vida por ter alertado a rainha e ser fiel ao rei... 

Enquanto estavam longe, Elaine foi feliz ao lado do seu cavaleiro tão sonhado, porém morreu ao dar à luz. Sozinho em seu exílio no norte, Lancelot envia seu herdeiro para o avô criar (que presente, hein?), e então o rei ordena que ele volte para a corte. Solteiro no Rio de Janeiro, oops, em Camelot, o cavaleiro aposta um beijo com uma donzela e Guinevere sente a pontada cruel do ciúme. Indignada, vai tomar satisfações com Lancelot e ambos são pegos na armadilha criada por Morgana (Anne Crawford, inoxidável para ser mãe de um marmanjo barbudo), a meio-irmã invejosa do rei, e Mordred (Stanley Baker, o melhor em cena). Lancelot luta contra os cavaleiros e salva Guinevere, levando-a para longe e retornando para o julgamento do rei. Considerados traidores, ambos são condenados à morte. Mas, ao explicar o que aconteceu para toda a Távola, o Rei Arthur resolve abrandar a pena: Guinevere vai para um convento e Lancelot é exilado da Inglaterra. Mordred desafia Arthur por ter traído o conselho da Távola e, após uma batalha, sai vencedor - Arthur está morrendo quando Lancelot chega, e já não há mais o que fazer a não ser vingar o amigo. Mordred é morto após uma luta intensa entre os dois cavaleiros, e o filme termina com Lancelot voltando à Távola com o cunhado e cavaleiro Percival (Gabriel Woolf), um homem santo que procurava o Santo Graal.


Lancelot é o de vermelho e o de amarelo luta a seu lado, mas tem vermelho e amarelo do lado inimigo também...

E é isso. O filme começa assim, e termina assim. Meio sem falar lé-com-cré, com cenas de batalha risíveis e confusas (só eu percebi as flechas atiradas de baixo pra cima atingindo os cavaleiros? e os cavaleiros supercoloridos de ambos os lados da batalha, como identificar quem está lutando por Arthur e quem está lutando por Mordred?), atuações que queriam soar imponentes... Soa como uma produção grandiosa, mas bem perdida. Não disse a que veio, nem pra onde ia. O pobre Percival foi o mais afetado: desde o início estava fadado à busca pelo Graal, mas não fez muita coisa a não ser ouvir um longo discurso de uma voz que só ele ouvia duas vezes e ser cunhado de Lancelot. Ava Gardner passa despercebida, se esforçando demais para ser diva. Ninguém realmente brilha no filme, nem mesmo as armaduras toscas dos cavaleiros. Uma pena, pois poderia ser bem interessante se tivesse um pouquinho mais de sal nessa mistura.

2 comentários:

Hugo disse...

Este eu não assisti, mas o gênero capa/espada tem ótimos filmes antigos, como o clássico "Os Três Mosqueteiros" com Gene Kelly e "Robin Hood" com Errol Flynn.

Até mais

Fabiane Bastos disse...

Opa! Mais um para a lista.
Valeu pela visita.