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sábado, 20 de outubro de 2012

Muita encenação, pouca ação

Na semana "Rei Arthur" do blog, já assistimos a uma versão tradicional e inverosímel, e a uma desconstrução bem humorada da lenda. Camelot é a versão teatral/musical do mito, onde acompanhamos a ascensão e queda do ideal da távola redonda, através das relações entre seus mais notáveis membros, Arthur (Richard Harris, o primeiro Dumbledore), Guinevere (Vanessa Redgrave) e Lancelot (Franco Nero).

Arhur é rei. Afinal ele já tirou a espada da pedra, e não precisou de ajuda para isso. A não ser de Merlin, claro, aqui se mostra uma figura paterna para lá de ausente. Com seu jeito simples o jovem rei conquista sua noiva, antes inconformada com o casamento arranjado. Tudo vai bem até Arthur ter a brilhante ideia de criar  uma ordem onde os homens seriam como iguais. Com a mesa redonda inventada, chegam cavaleiros dos quatro cantos do mundo para se unir a ela. Um deles é Lancelot, belo, melhor cantor e invencível. 

O rapaz francês não inspira simpatia dos companheiros de mesa, e mesmo da rainha que até instiga outros cavaleiros contra ele. Mas não tem jeito, após a "pureza" de Sir Lancelot operar um verdadeiro milagre (!), a moça cai de amores por ele. O destituindo de sua maior virtude (o rapaz ficou impuro, ué!), e criando um impasse que arrisca tudo que Arthur construíra.Ufa! Tudo isso em 3 horas.

Confesso assim que terminei de assistir o filme, corri para o blog para conferir novamente quais prêmios a produção tinha conseguido. A maioria técnicos, fez sentido. Afinal, é uma super-produção com cenários grandiosos (dois cavalos podem caminhar tranquilamente pela távola redonda!), e figurinos de luxo (considerando que era 1967, e o estilo "medieval sujo" de O Senhor dos Anéis ainda não era regra), mas os acertos param por aí.
Mesinha nada pequena, alguém aí consegue contar as cabeças?
Super teatral, as atuações exageradas soam forçadas e não implicam carisma aos personagens. Estes vivem anos, sem envelhecer ou mesmo aprenderem algo. Arthur implora todo o tempo por respostas de Merlin à seus problemas, e parece ser incapaz de sentar em uma cadeira apropriadamente. Talvez uma tentativa de tornar o personagem mais simpático. Assim como o apelido com que o rei se refere a sua esposa. Alguém me explica como Guinevere vira Jenny?

Enquanto isso, a moça fútil a principio, se torna uma tola apaixonada inconsequente e soma seu egoísmo com o do seu amante. A dupla se rende aos desejos sem pensar nas consequências. Só é preciso um empurrãozinho de  Mordred (David Hemmings), que a exemplo de meu texto só aparece no filme muito depois do meio da projeção, para colocar em risco um sistema de governo que parecia prosperar de forma eficiente ou justa. Fica difícil torcer por eles!

Arthur, o bobo Rei
Some-se aí passagens de tempo abruptas, musicas que arrastam a narrativa ao invés de faze-la andar (esse foi o prêmio que não entendi), e algumas pontas soltas (afinal quem é Pelly? e porque a história precisa dele?), e três horas de filme parecem uma eternidade.

O Arthur de Camelot é meio bobo, quase infantil. Guinevere é a precursora das periguetes, jogando seu charme para todo lado (deve ser fácil sendo a única moça da trama). Lancelot é menos bobo, mas robótico. E não fosse a chegada do vilão ("tirado da cartola" sem mais nem menos), a história se manteria eternamente no empasse já que os personagens não tomam as grandes decisões. Mencionei que as batalhas são poucas?

Mordred
Adoro mitologia como tema. Adoro mais ainda quando personagens começam a cantar e dança sem motivo aparente. Mas eu sempre digo, "sem motivo aparente", precisa haver um motivo, explicar algo, empurrar a história para frente. As músicas aqui apenas reforçam longamente o que a cena anterior, ou que está ainda por vir, já mostram. E quanto a mitologia, é divertido quando as lendas acontecem, esta infelizmente demora muito e acontece pouco.

Diante de seus concorrentes, falta carisma, energia e coerência a esta versão de Arthur. Uma pena, pois recursos (leia-se verba) e bom elenco não faltaram!

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