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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Erro 601

Pois é, no meio do filme eu fiz igual ao computador responsável por analisar as informações dadas pelos cientistas: travei com excesso de informação. Mas nem por isso deixei de gostar do filme. O enigma de Andrômeda (The Andromeda strain, 1971) é um ótimo filme de ficção científica tipicamente dos anos 1970: em plena Guerra Fria, além das descobertas científicas havia muita politicagem envolvida; computadores gigantes e cheios de luzinhas que não serviam para nada... Mas a história é boa - e apavorante. Uma cidade americana completamente isolada simplesmente é encontrada morta após uma possível queda de meteorito. E a equipe que foi lá fazer a primeira vistoria sumiu em plena transmissão do relatório, apavorando a base a que se reportavam e criando a necessidade de chamar uma equipe especializada imediatamente para a solução do problema.

Uma cidade morta instantaneamente e só dois sobreviventes: um velho bêbado e um bebê. Que enigma é esse?
Sem nenhuma pista do que teria acontecido por lá, a nova equipe recrutada vai em busca do satélite que transmitia os dados da equipe desaparecida e levar tudo o que fosse encontrado para análise em um laboratório supersecreto e seguro. O que os especialistas não esperavam era encontrar sobreviventes: um bebê, milagrosamente vivo após tanto tempo sem cuidados de um adulto, e um senhor muito debilitado, que parecia alucinado e só conseguiu pronunciar "Vocês são os culpados!" antes de desfalecer. Além dos sobreviventes, os cientistas levam para lá a cápsula que veio do espaço e que havia atingido a cidadezinha.  A probabilidade de se encontrar alguém vivo por lá era muito remota, o cenário é apocalíptico: todos estavam mortos como se suas vidas tivessem sido tiradas instantaneamente - quase como se fosse possível causar um ataque cardíaco fulminante coletivo. O mistério se estende até o fim, quando finalmente descobrem oque causou tanto estrago. E as consequências dele também...

Não é clipe da Lady Gaga, é só um dos inúmeros processos de descontaminação

O filme tem um ritmo bem lento. O que a gente acompanha é todo o processo científico pra descoberta do elemento causador de tanto estrago. As personalidades dos cientistas são uma chave importante para o roteiro, como o constante mau humor da única mulher do grupo, ou a falta de jeito do cirurgião com o bebê - e até o próprio senhor infectado, que não para de cantar a enfermeira que está cuidando dele. Sem essas intervenções, o filme seria insuportável. Sim, porque acompanhamos todos os estágios de descontaminação do grupo, que são várias, e levam muito tempo pra acontecer. E também porque eles realizaram testes de verdade nos animais, uma crueldade só. Sorte que não foi nada realmente fatal para os bichinhos, mas... Mesmo assim. Incomodou muito ver, apesar de saber que essas práticas são comuns e, para o bem ou para o mal, necessárias. Não vou levantar bandeira nenhuma aqui, mas achei meio forte demais as cenas. 

No fim das contas, surge o causador de tudo. Uma partícula minúscula que se alimenta... Bem, pelo que entendi, de tudo. Sua estrutura molecular era perfeitamente adaptável e praticamente imune a quase tudo, uma verdadeira praga que, em pouco tempo, seria capaz de consumir o planeta inteiro. E aí entra a política na história -  a suspeita de que o governo já sabia do que estava acontecendo, ou até mesmo que tinha implantado o ser alienígena (não era vírus, era mais uma molécula... aí, pra não ficar na indecisão, melhor chamar de 'ser') na cidadezinha, para avaliar os efeitos, as possíveis utilizações disso, e, claro, a forma de combater, o antídoto.

A equipe responsável por identificar o microorganismo: tensão total
Uma guerra biológica. Esse seria nosso fim na visão deste filme. Independente de ter sido enviado para a Terra por alienígenas, ou por ter sido parte de um plano do governo, um ser que se reproduz até no vácuo, que consome todo tipo de matéria, que não desperdiça nada, que não para de evoluir... É uma ameaça muito maior do que qualquer um poderia sonhar em enfrentar. Como se mata uma coisa que não morre? Então, problemática: como fechar o filme se não tem como matar o vilão? O jeito foi encontrar uma 'falha' no sistema de defesa - uma estreita faixa de PH para que haja o desenvolvimento. Ótimo, temos um argumento, agora... Como evitar a destruição da Terra se não houve a detonação da bomba atômica (que só potencializaria os efeitos do ser, que já matava instantaneamente) ou a destruição do laboratório ultrassecreto onde estava sendo analisado? Se o Andrômeda, como foi batizado, era transmitido por via aérea, instantaneamente, como parar o fim do mundo?! Bem... O desfecho foi meio corrido, até pela lentidão do filme, em mostrar o processo delicado e demorado de se analisar minuciosamente uma ameaça à humanidade. E como seria 'cultivar nuvens' e controlar para que elas caíssem sobre o oceano para que o PH elevado deste eliminasse a ameaça? E quem garantiria que isso funcionaria, uma vez que o ser se adaptava com uma rapidez espantosa a qualquer condição e sua mutação era tão rápida que nem o computador superavançado conseguia acompanhar o ritmo?

Pois é. Como um todo, o filme é bacana; leva a algumas reflexões. As personagens principais são bacanas, e foram bem defendidas por seus intérpretes. Destaque para o mau humor da dra. Leavitt (Kate Reid), que rende ótimas piadas no processo de descontaminação. Achei o final meio apressado, com uma solução muito milagrosa e, pelos meus cálculos nada científicos, não muito eficaz. Mas nem por isso tiro o mérito do filme. Rola um excesso de informação, muitas características são bombardeadas em pouco tempo (e muito tempo é gasto para quase nada, nos processos inúmeros de descontaminação), mas no geral, o filme agradou. Só nos resta esperar que nenhum microorganismo desse tipo venha nos fazer uma visita, né? Porque não vai ser tão rápido assim pra descobrir o que é, como funciona, como vive, do que sobrevive, como parar a reprodução... Aerhakmfeinvg mgvea.... ERROR 601.

2 comentários:

Hugo disse...

Realmente o ritmo é lento, mas a trama é interessante.

É um tipo de ficção bem diferente dos filmes atuais.

Até mais

Fabiane Bastos disse...

Pois é, surpreendeu todas aqui no sofá! Adoramos, mas sem entender exatamente porque!

Att...