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sábado, 12 de janeiro de 2013

Adaptação fiel e ousada


Ousado. Violento. Esteticamente irretocável. Muitos são os adjetivos que podem definir Sin City, mas a experiência só fica completa quando o espectador se acomoda na poltrona e assiste ao filme de Robert Rodriguez e Frank Miller. Porque mesmo quem não é íntimo da graphic novel é capaz de reconhecer em cada plano, em cada fotograma, em cada escolha da fotografia a intenção de reproduzir com a maior fidelidade possível o ambiente da mídia original. E a sensação é de quase folhear as histórias que são contadas na tela.

As transições entre as tramas (baseadas nos três volumes da série) são sutis: em comum entre elas, o nome da família Roark, poderosa e temida por qualquer pessoa dotada de suas faculdades mentais. No primeiro episódio, The hard goodbye, Mickey Rourke vive Marv, uma Fera num moderno conto de fadas, que busca vingança pela morte da bela Goldie (Jamie King), uma prostituta de luxo que lhe deu atenção e carinho naquela fatídica noite, o suficiente para merecer gratidão eterna. 

É de partir o coração quando ele conhece Wendy (também interpretada por King) e se questiona se tudo que aconteceu não é fruto de sua imaginação. Ele fica confuso, ele repete a toda hora. Tão frágil e tão implacável, tão impiedoso e tão carente, tão humano e tão monstro. O elemento bizarro da história (que tem muitos membros mutilados, muitos tiros e muito sangue) fica por conta do misterioso personagem de Elijah Wood, que não fala uma palavra, tem aparência absolutamente inofensiva, mas é uma das criaturas mais perigosas desse universo. Assustador. Mas a cereja do bolo fica com a teoria da conspiração que fecha este ciclo - aquele toque de realismo que se faz necessário.

The big fat kill traz a saudosa Brittany Murphy como uma garçonete indefesa, Benicio Del Toro como seu namorado alcóolatra e agressivo e Clive Owen como o salvador mais sexy do Oeste, digo, de Sin City. O que começa como uma simples arruaça, porém, toma ares de filme de gângster quando Jackie Boy (Del Toro) e sua gangue adentram a Cidade Velha, ocupada e guardada por suas amazonas modernas, as prostitutas lideradas bravamente por Gail (Rosario Dawson). É interessante a inversão entre os gêneros nesse momento, já que são elas que andam armadas e perigosas, enquanto eles devem aguardar a decisão delas de quem vive e de quem morre. Mesmo assim, as personagens femininas continuam cumprindo sua função fetichista no longa, desfilando corpos quase nus a maior parte do tempo.

A situação foge bastante ao controle quando Jackie passa dos limites, e as meninas precisam tomar uma atitude. Mas a tensão entre Gail e Dwight (Owen) não é só questão de poder: antigos amantes, os dois protagonizam os beijos mais tórridos de todo o filme. Os brutos também amam, e como. Mas além de amor impossível, o episódio traz ainda mercenários, traição, explosões e conversas com mortos-vivos, com direito até a participação especial (como diretor) de Quentin Tarantino. Luxo dos luxos.

That yellow bastard, que é dividida em duas partes, traz Bruce Willis (bastante conservado para seu papel de 60 e poucos anos!) como um policial que vai até as últimas consequências para salvar uma garotinha de um pedófilo sádico. Anos depois, ele, que acabou sendo acusado injustamente por crimes que não cometeu, volta a se aproximar dela, e teme colocar sua vida em risco. Uma história de afeto e amor, que, como todas as outras já citadas, não poderia ter simplesmente um final feliz. 

Todas as tramas, como se vê, têm um fundo romântico, de uma maneira pouco convencional, digamos. Mas nem isso torna a obra menos violenta - prepare-se para cabeças espetadas, decepadas, esmagadas e por aí vai. O que torna tudo um pouco menos repulsivo é o requinte visual do filme, um noir estilizado, que respeita o uso das cores nos quadrinhos: tudo em preto e branco, com exceção apenas para o que se quer destacar, como o vermelho da paixão e da morte, o amarelo repugnante, o verde oblíquo dos olhos. A fidelidade de Rodriguez à HQ, necessária inclusive para convencer Miller a topar a adaptação, deve ter agradado aos fãs da série. Mas conseguiu um feito ainda maior: proporcionar uma experiência inesquecível aos não-iniciados.

1 comentários:

Anônimo disse...

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