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sábado, 12 de janeiro de 2013

O silêncio é de ouro, a palavra é de prata


Apesar de ter entrado para a história como o primeiro filme falado, O cantor de jazz deveria ser conhecido como "o primeiro filme cantado e meio falado". Isso porque é dele o título de maior bizarrice que eu me lembre de já ter visto num longa-metragem: apenas alguns diálogos têm som, o resto é cartela mesmo. Mas se pode ser totalmente falado, porque dar o gostinho ao público e depois voltar ao velho cinema mudo? 

Não me leve a mal, quem já leu meus textos aqui no blog sabe que eu amo e respeito muito o gênero. Mas ninguém há de negar que o som mudou radicalmente o modo de interpretação na sétima arte: saem de cena as caras exageradas, as grandes pausas, os olhos arregalados e ganha-se em naturalidade. Como misturar o melhor dos dois mundos então? Simples. Não se mistura.

Ainda menino, Jakie Rabinowitz (Al Jolson) é expulso de casa pelo pai por preferir cantar música popular americana a se apresentar na sinagoga frequentada pela família, rompendo uma tradição mantida há várias gerações. Anos mais tarde, com o nome artístico de Jack Robin e com a ajuda da jovem Mary Dale (May McAvoy), ele consegue sua grande chance no show business, ao mesmo tempo em que tenta ganhar o perdão do pai. E é justamente na sua grande noite que ele se vê num baita dilema: privilegiar a carreira ou a família.

Al Jolson pode ter sido grande na Broadway, mas no cinema é apenas um cantor mediano e um ator que se apoia na caricatura, típico dos intérpretes vindos do teatro e inseridos no cinema mudo. Natural. Mas, num filme como esse, o exagero fica ainda mais evidente. Nas dobradinhas com Eugenie Besserer, que interpreta sua mãe, isso fica ainda mais visível. Já May McAvoy é expressiva na medida certa e encantadora, embora sua personagem seja mal aproveitada e pareça até insensível em alguns momentos.

Além disso, a trama é até simpática, mas se mostra insuficiente para manter o interesse do espectador ao longo de seus 88 minutos. Nem é tanto, mas com tão poucos personagens, alguns dramas, em especial na segunda metade da projeção, se repetem demasiadamente. Por todos estes motivos, O cantor de jazz deve ser visto como um trabalho de transição. Seu pioneirismo técnico precisa ser reconhecido, mas este não pode ser chamado de um grande filme.

2 comentários:

Jaqueline disse...

Diz a lenda que o filme era para ter som apenas nas musicas, porém Al Johnson pegou o microfone e disse a, hoje, famosa frase:Esperem um pouco, aguarde, Vocês ainda não ouviram nada! e foi a primeira vez que o publico ouviu um personagem dizendo alguma coisa.
Hoje pode parecer pouca coisa, mas em 1927 o publico ficou impressionado com a novidade.

Giselle de Almeida disse...

E eu entendo o público ficar impressionado, realmente era grande coisa. Até por isso esse filme entrou na nossa lista de 2012, não estou negando a importância desse feito técnico. Mas a gente não pode negar que o resultado ficou esquizofrênico, e na análise do filme como um todo, não dá pra deixar passar despercebido, né? Era melhor que tivesse som apenas nas músicas. Deixassem os diálogos para o filme seguinte ;)

Obrigada pela visita e pelo comentário!